Semeando pela fé

pois todos são um em Cristo Jesus.Gálatas 3:28

Lição 109 de Dezembro de 2018 

Precisamos de Vigilância Espiritual 

INTRODUÇÃO"O texto da leitura bíblica em classe está inserido no centro de um conjunto de ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. A parábola que vamos estudar é o tema central deste conjunto, ou ciclo, de ensinamentos que se inicia no versículo três do capítulo 24 e se estende até o último versículo do capítulo 25. Jesus está trazendo ensino escatológico para seus discípulos. Ele inicia suas mensagens falando a respeito do princípio das dores, perseguições, falsos profetas, esfriamento do amor, etc. (24.3-14), e segue falando sobre a Grande Tribulação (24.15-28), decide então discorrer sobre sua própria volta e sobre o arrebatamento dos salvos (24.29-31). Neste momento, visando ilustrar a necessidade da vigilância (24.36-44), Ele aborda a necessidade de estarmos preparados para sua vinda. Aprofunda-se então o tema central que é estarmos vigilantes (24.45-51)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).Esta perícope inicia em Mateus 24 onde Jesus passa a explicar enfaticamente o ponto de atenção, de alerta, em que nós devemos estar despertos, esperando por Sua volta. Na seqüência, esta explicação é ratificada através de três parábolas, enunciadas uma após a outra, e essa seqüência revela a grande importância que Ele dá ao assunto. A primeira parábola é a do servo infiel. Nestas parábolas, o Senhor Jesus exalta a diligência e a vigilância e censura a negligência e a imprudência. Estas comparações se aplicam àqueles que servem no Reino de Deus. Os servos são identificados pela prática das ordens do seu senhor e não pelo que sabem que deve ser feito. Em outras palavras: o atendimento da vontade do senhor é o que conta no serviço e não apenas o conhecimento dela (Mt 23.3). Com esta parábola de Mateus 25.45-51, o Senhor Jesus reafirma o ensino dado no Sermão do Monte quando contou a parábola da construção de duas casas. A diferença entre elas não estava no que as pessoas viam, mas no que as pessoas não viam, isto é, no alicerce. As intenções na realização do serviço são mais consideradas pelo senhor do que a obra em si (1Sm 16.7). Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?
I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DOS DOIS SERVOS
"1. O servo bom e fiel. A parábola é contada tendo como base uma comparação entre o comportamento de dois servos. O primeiro, fiel e prudente, confiado em uma posição superior, esforça-se para realizar, zelosamente, a tarefa recebida, porém, ele sabe que não é administrador geral da casa, mas apenas um despenseiro. No entanto, por ser um servo fiel e prudente, ele agora tem a oportunidade de demonstrar, na prática, se realmente é sábio, pois o seu senhor o premia, promovendo-o a administrador de todos os seus bens (vv.45-47)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).O servo fiel administra sua vida na expectativa de que seu senhor pode voltar a qualquer momento. Esse modo de vida é premiado no versículo 46, onde é chamado de bem aventurado ou feliz. Assim será no arrebatamento da Igreja. A humildade, a obediência e a renúncia estão presentes na vida de uma pessoa compromissada com Deus. Uma pessoa humilde deixa-se transformar pelos ensinos de Jesus e a eles se submete em obediência. Nessa ação renuncia os seus interesses e se submete consciente e voluntariamente aos interesses de Deus e do Seu Reino. Essa atitude a leva a viver em excelência a sua humanidade e com isso agrada a Deus do jeito que Ele deseja ser agradado. Neste mister, temos o exemplo de Paulo, que administrou sua vida nessa expectativa do breve retorno do Seu Senhor, e também fez o convite a o imitarmos (At 20. 24; 1Co 11.1; Gl 2.20).
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"2. O mau servo. A parábola não ilustra somente o perfil do servo fiel e prudente, pois mostra quão antiético um servo pode ser quando colocado em posição superior a dos serviçais, durante a ausência do senhor. Conforme a narrativa, o segundo servo, recém-promovido, agindo de forma antiética, preferiu agir como um tirano em casa alheia, prevalecendo da momentânea posição e entregando-se à devassidão, age irresponsavelmente contando com a demora do seu senhor (v.49). Ele parece pensar que o seu senhor se atrasará (v.48). Por isso, começa a prevalecer-se e resolve se "divertir", maltratando seus conservos, amigos de trabalho. Agindo assim, ele revela seu verdadeiro caráter, isto é, mostra-se maligno. Enquanto o primeiro servo foi promovido (v.47), este é jogado para fora da casa, ou seja, ele terá a mesma sorte que está reservada aos servos infiéis (v.51)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).O servo infiel, contrariamente, administra sua vida sem qualquer senso de responsabilidade, por acreditar que seu senhor irá demorar. Note que ele se sente melhor na ausência do seu senhor do que na sua presença. Nos versículos 50 e 51, que representam a vinda de Cristo para reinar, ele é pego de surpresa; é surpreendido como se um ladrão invadisse sua casa para privá-lo das coisas que ele mais preza. O mau servo devido a sua negligência, descompromisso e imprudência será surpreendido pela volta do senhor que o condenará pelo mau uso da responsabilidade que recebeu e porque se colocou na posição de senhor diante dos seus conservos. Todas as vezes que tentamos ocupar o lugar que o Senhor não nos reservou, atraímos a Sua ira e juízo. Ser um bom ou mau servo depende de nossa escolha (Nm 12.1 - 16; 16.1 - 50; 1Sm 15.1 - 35).*******************************************************************
"3. O destino escatológico. Como vimos, o primeiro servo, por sua fidelidade e bondade, será promovido, enquanto o outro, por sua maldade e prevalecimento, será jogado para fora da casa. Ao descrever o castigo reservado para o servo infiel, o Senhor Jesus abandonou a linguagem parabólica para falar do destino final dos hipócritas, isto é, no lugar para onde estes irão, "haverá pranto e ranger de dentes" (v.51). A expressão "hipócrita", utilizada por Jesus, indica aqueles que falam, mas não fazem, mas para se mostrarem perante os outros, observam apenas de forma superficial e exterior a Lei de Deus, porém, sequer se aproximam do seu cumprimento pleno e genuíno, pois isso só pode ser feito por aqueles que têm um coração sincero e dedicado. Os hipócritas, porém, estão preocupados em apenas "parecer" e não em "ser". O senhor da parábola requer dos servos o cumprimento fiel da tarefa que lhes foi confiada. O servo bom e fiel é aquele que se mantém ocupado, procurando sempre cumprir fielmente as suas tarefas. Dessa forma, o servo estará sempre preparado para quando o seu senhor retornar. Por outro lado, o mau servo é irresponsável e, prevalecendo da confiança, abusa da posição e mostra-se indigno da posição que o seu senhor lhe confiou. O discurso é claramente escatológico e tem como objetivo advertir os ouvintes da necessidade de se viver de forma vigilante e prudente enquanto se aguarda o retorno do Senhor (v.50)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18)."Há um juízo vindouro em que cada homem será sentenciado a um estado de felicidade ou miséria eterna. Cristo virá não só na glória de seu Pai, mas em sua própria glória, como Mediador. o justo e o ímpio aqui habitam juntos, nas mesmas cidades, igrejas e famílias, e nem sempre são diferenciados uns dos outros; tais são as fraquezas dos santos, tais as hipocrisias dos pecadores, e a morte os leva a ambos; porém, naquele dia serão separados para sempre. Cristo é o grande Pastor; Ele distinguirá dentro de pouco tempo entre os que são seus e os que não são. Todas as demais distinções serão eliminadas, e a maior delas é entre os santos e os pecadores, os fiéis e os ímpios; esta diferença permanecerá para sempre" (Matthew Henry). Haverá uma recompensa futura para os que servem com fidelidade neste tempo presente. Não somente os galardões a serem recebidos no céu (1Co 3.8, Ap 22.12), mas também as posições de autoridade no seu reino (Lc 19.17). Uma vida descompromissada e de hipocrisia terá como galardão a sua parte com os hipócritas. Veja que essa pessoa não estará sendo julgada por qualquer falha relacionada ao seu trabalho como servo. Não! Será julgada por ter vivido uma vida de aparências sem genuína conversão. O trabalho mal feito foi apenas uma conseqüência natural de uma vida vazia e sem Deus.
*******************************************************************II - UM CHAMADO À VIGILÂNCIA
"1. Vigilância. O ensino sobre a vigilância é constante no ministério de Jesus (Mt 26.41). No intuito de demonstrar de que forma devemos nos manter vigilantes, o Senhor Jesus narrou a parábola dos dois servos, primeiramente contrastando o perfil de ambos ao mostrar que um era bom e o outro mau. A ambos os servos o "senhor" da narrativa confiou a tarefa de cuidar de seus conservos. O bom os alimentava em quantidade e hora corretas. O mau os espancava, desprezava-os, e como se ainda não fosse o bastante, comia e bebia com bêbados. O servo bom, além de fiel, era vigilante, administrando bem aquilo que recebeu do seu senhor. O destaque à vigilância, nesta parábola se manifesta como sendo o exercício correto da mordomia, ou seja, o homem vigilante pratica a administração responsável do que recebeu do seu senhor, sabendo que está lidando com o que não é seu e que brevemente terá de prestar contas. O mesmo princípio é rememorado pelo apóstolo Paulo quando em 1 Coríntios 4.1,2, diz: "Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel". Jesus nos manda estar acordados, alertas, vigilantes, circunspectos (Mt 25.13; Mc 14.34,37,38), isto é, precisamos estar completamente alertas!"(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).Muitos serão surpreendidos pela vinda do Senhor. Embriagados pelas ânsias desta vida, teimam em viver como se a vinda de Jesus fosse a mais remota das hipóteses. À semelhança daqueles escarnecedores referidos pelo apóstolo Pedro, perguntam: "Onde está a promessa da sua vinda?" O que tais crentes não sabem é que já estamos em plena era escatológica; vivemos os últimos dias desta dispensação. Em 1 Tessalonissensses 5.6, diz: "Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios". "Vigiar" (gr. gregoreo) significa "manter-se acordado e alerta". O contexto (vv. 4-9) indica que Paulo não está exortando seus leitores a ficarem à espera do "Dia do Senhor" (v. 2), mas a estarem espiritualmente preparados para escapar da ira do Dia do Senhor (cf. 2.11,12; Lc 21.34-36). Se quisermos escapar da ira de Deus (v. 3), devemos permanecer espiritualmente acordados e moralmente alertas, e devemos continuar na fé, no amor e na esperança da salvação (vv. 8,9; ver Lc 21.36; Ef 6.11). Visto que os fiéis serão protegidos da ira de Deus, por meio do arrebatamento, não devem temer o "Dia do Senhor", mas "esperar dos céus a seu Filho... Jesus, que nos livra da ira futura" (1.10), esperar o arrebatamento que virá antes do dia do Senhor. A palavra "sóbrio" (gr. nepho) tinha dois significados nos tempos do NT. O significado primário e literal, conforme explicam vários léxicos do grego, é "um estado de abstinência de vinho", "não beber vinho", "abster-se de vinho", "estar totalmente livre dos efeitos do vinho" ou "estar sóbrio, abstinente de vinho". A palavra tem um segundo sentido, metafórico, de alerta, vigilância ou domínio próprio, i.e., estar espiritualmente alerta e controlado, exatamente como alguém que não toma bebida alcoólica. O contexto deste versículo deixa ver que Paulo tinha em mente o significado literal. As palavras "vigiemos e sejamos sóbrios" são contrastadas com as palavras do versículo seguinte: "os que se embebedam embebedam-se de noite" (v. 7). Sendo assim, o contraste que Paulo fez entre nepho e a embriaguez física indica que ele tinha em mente o sentido literal: "abstinência do vinho". Compare com a declaração de JESUS a respeito dos que comem e bebem com os ébrios, e assim são apanhados desprevenidos na sua volta (Mt 24.48-51).*******************************************************************"2. Ninguém sabe o dia. A necessidade de vigilância é clara, pois assim como os servos da parábola não sabiam o momento certo do senhor deles voltar, ninguém sabe quando Jesus Cristo virá (Mt 24.36). Por isso, antes de contar a parábola dos dois servos, no versículo 43, Jesus explica isso de maneira breve, mas cristalina. O Mestre utiliza a figura do pai de família dizendo que se este soubesse quando o ladrão viria, vigiaria e estaria à sua espera, impedindo que o malfeitor fizesse mal à família. Como não sabemos quando Jesus haverá de vir, devemos estar sempre preparados (v.44), pois estar preparado a qualquer momento para a volta de Cristo é parte da responsabilidade básica de todo discípulo autêntico (v.46). Devemos fazer exatamente o que o servo fiel e prudente da parábola fez, pois quando Cristo voltar seremos felizes se Ele nos "achar servindo assim" (v.46). Não podemos nos esquecer que, assim como retratado pelo Senhor Jesus Cristo na parábola, o "Dia do Senhor virá como o ladrão de noite" (1Ts 5.2)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).Myer Pearlman comentando "A Vinda do Senhor" em 1Ts 5.1-10, escreve: "Paulo já explicava que não poderiam saber nem o dia nem a hora. Repete esse fato para reprimir aquela curiosidade que é natural dos homens e que já tinha sido a causa de muita perturbação e desordem na igreja. É uma verdade muito aplicável hoje. A palavra profética tem sido muito desprezada por pessoas que fixam datas, bem como todas as coisas absurdas que alegam "profecias". O "Dia do Senhor" é a expressão comum no Antigo Testamento que descreve a vinda do juízo divino. Em particular descreve o julgamento de Israel e das nações, que terá lugar na vinda do Messias. Paulo declara como esse acontecimento será súbito e inesperado. O ladrão vem de noite, quando todos dormem e ninguém está preparado; de modo semelhante, quando Cristo vier, achará o mundo despreparado, e não esperando a sua vinda (v.3). Certamente, haverá sinais, mas os ímpios não os verão na sua verdadeira luz. Correrão para a destruição, sem prestar atenção aos sinais de "pare" deixados por Deus. 2. Os preparos para a sua vinda. Há três tipos de sono mencionado nas Escrituras: o sono natural, o sono da morte e o sono do descuido espiritual mencionado no texto (v.6). O que se diz do que dorme o sono natural pode ser dito do que dorme espiritualmente; não reconhece que há perigo, esquece-se de qualquer dever, não se comove por apelos e, talvez, nem reconheça que está dormindo."" (PEARLMAN, Myer. Epístolas paulinas: semeando as doutrinas cristãs. RJ:CPAD, 1998, p.187-8.). Leia mais Revista Ensinador Cristão CPAD, no 23, pág. 41.IIl - VIVENDO COM DISCERNIMENTO
"1. Vida dissoluta. O versículo 49 chama a atenção para a falta de prudência de alguém que começou a conduzir sua vida de maneira dissoluta. Infelizmente, a postura do servo infiel de espancar os conservos, além de comer e beber com os bêbados, revela um desejo que precisava apenas de uma oportunidade para se manifestar. Tal comportamento nos lembra de um momento anterior, no mesmo sermão, quando Jesus falou sobre os dias de Noé. O Senhor disse que, naquele tempo, as pessoas "comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca" (Mt 24.38). Em outras palavras, as pessoas do tempo do "pregoeiro da justiça" (2Pe 2.5), viviam sem compromisso algum com Deus, e foram surpreendidas pelo juízo divino (Mt 24.38,39). De igual forma, a vida dissoluta do mau servo, e de pessoas que se comportam como ele, terão como destino um lugar onde haverá choro e ranger de dentes (v.51)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).Vida dissoluta é viver de maneira corrupta, libertina e devassa, estas são características de uma vida descompromissada com Deus. "Nessa ilustração o Mestre tem uma exortação para todos os seus servos. Nela, como sempre, Cristo liga a fé ao comportamento. Se cremos em sua vinda, devemos nos portar de acordo com o que acreditamos. Não podemos viver como desejamos, se verdadeiramente cremos que ele pode vir a qualquer momento. Essa esperança deve governar a nossa vida no lar e impedir-nos de viver uma vida sem moderação e sem disciplina. Se nos conscientizarmos da volta do Mestre, e deixarmos que essa conscientização impere em todos os aspectos da nossa vida, então viveremos. Quando o servirmos de maneira a honrá-lo, teremos verdadeira comunhão uns com os outros, santidade de vida e estaremos vigilantes. Para aqueles servos maus que escarnecem da verdade de sua vinda e arrogantemente destratam os outros, e se associam com os glutões, há uma condenação repentina e veloz. Que a graça nos seja concedida para que possamos viver de tal maneira que não sejamos envergonhados perante ele em sua vinda!"" (LOCKYER, 2006, p. 300).
*******************************************************************"2. Vida santa. Desde os tempos de Moisés, o povo de Deus é exortado a viver uma vida de santidade (Lv 11.44,45), isto é, uma vida separada e consagrada totalmente ao Senhor. Para o povo da nova aliança - a Igreja -, a mesma vida de santidade também é requerida (1Pe 1.16), pois temos mais luz e conhecimento em relação às coisas de Deus do que o próprio povo de Israel. Por isso, precisamos viver uma vida com discernimento, sabendo separar aquilo que, como santos e filhos de Deus, convém, ou não, fazer (1Co 6.12; 10.23). Hoje, mais do que em qualquer outra geração de cristãos, precisamos nos lembrar de que, sem santificação, "ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Devemos ter isso muito claro em nossos corações, lembrando também que o Senhor Jesus Cristo pode voltar a qualquer momento (Mt 24.42)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18)."Jesus anunciou que antecipadamente que os dias que antecedem a sua vinda, serão de extrema corrupção moral, comparando com o período antediluviano e geração de Sodoma e Gomorra (Mt 24.37; Lc 17.28). Os apóstolos também fizeram a mesma afirmação (II Tm 3.1-5; II Pe 3.3). Sabedores disto, nós cristãos, devemos no meio desta geração pervertida, vigiar em santidade, a fim de não contaminarmos com o pecado (Fp 2.15). A santidade é tipificada na Bíblia como vestes (Ap 19.8,14). Por sua vez, a falta de santidade pode ser retratada como vestes sujas ou a nudez (Zc 3.3,4; Ap 3.18; 16.15). A exortação bíblica é que devemos estar vestidos e com vestes limpas em todo tempo (Ec 9.8; Ap 3.4). Já vimos que a palavra "vigiar" significa: "estar atento". O contrário da palavra "vigiar" é justamente "dormir" (Mc 14.37; Ef 5.14; Rm 13.11). Do ponto de vista bíblico, o sono espiritual, tem conotação negativa, pois leva o homem a um estado de invigilância. Jesus falou disto quando disse: "Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo" (Mc 13.35,36). Foi quando as dez virgens cochilaram que chegou o esposo "E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram" (Mt 25.5). A "demora" da volta de Cristo se constitui num teste de resistência e fidelidade para aqueles que professam segui-lo. Por isso, somos exortados a perseverança (Mt 24.13; Lc 8.15; Rm 2.7; I Tm 4.16; Ap 3.10-11). Devemos também exorta-nos uns aos outros (Hb 10.25)." (Extraído de: lição 04 - Esteja alerta e vigilante, Jesus voltará - 1º Trimestre de 2016)
*******************************************************************"3. Administrando os bens. Jesus contou a parábola dos dois servos para que os ouvintes, e todos nós, optássemos em seguir o exemplo do servo fiel e prudente, evitando o trágico fim dos hipócritas (v.51). A postura do servo bom e fiel, que administra os bens de seu senhor conforme a justiça faz jus à própria expressão "servo", visto que esta retrata o perfil de um ministro dedicado, alguém que se sente satisfeito em cumprir o seu dever, que é servir ao seu senhor. De forma semelhante, a Bíblia nos chama de despenseiros de Deus e diz que devemos ser "bons" (1Pe 4.10), ou seja, eficientes e dedicados. O apóstolo Paulo também falou sobre este assunto dizendo ser necessário que "os homens nos considerem como ministros", ou seja, servos "e despenseiros", isto é, administradores daquilo que Cristo coloca sob nossa responsabilidade, requerendo apenas que cada um se ache, seja encontrado, fiel (1Co 4.1,2). Portanto, mais que fidelidade e prudência, o Senhor requer de nós que sejamos bons e fiéis administradores do que não é nosso (1Pe 5.2)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).Em Coríntios 3.9, a Bíblia diz dos obreiros: "Nós somos cooperadores de Deus". Em geral se pensa que o cooperador no trabalho do Senhor seja um obreiro iniciante, ou um mero auxiliar, mas aqui trata-se de um obreiro habituado na Seara do Mestre, dando o máximo de si, com todo esforço, juntamente com os demais, para levar avante o trabalho de Cristo. No mesmo versículo, a Bíblia diz do rebanho do Senhor: "vós sois lavoura de Deus". Agora a cena muda: em vez do obreiro, aparece a Seara do Senhor, na qual o obreiro se ocupa. Obreiros vêm e obreiros vão, mas a Igreja do Senhor permanece, porque ela é obra de Deus e não de homem. Dela disse Jesus: "A minha Igreja". Desta expressão do Senhor, concluí-se que há outras aglomerações que levam o nome de igreja, mas que não são a sua Igreja. Matthew Henry comentando Mateus 25, escreve: "As boas obras feitas por amor a Deus, por meio de Jesus Cristo, aqui são comentadas como marcas do caráter dos crentes feitos santos pelo Espírito de Cristo, e como os efeitos da graça concedida aos que as fazem. o ímpio neste mundo foi frequentemente chamado a ir a Cristo em busca de vida e repouso, porém, recusaram os seus chamados; e justamente são os que preferiram afastar-se de Cristo, aqueles que não irão a Ele. Os pecadores condenados darão desculpas vãs. O castigo do ímpio será um castigo eterno; seu estado não poderá ser mudado. Assim é a vida e a morte, o bem e o mal, a bênção e a maldição: estão postos diante de nós, para que possamos escolher nosso caminho; e nosso fim será de acordo com o nosso caminho." Quando fala-se em ser despenseiro dos dons celestiais, fala-se de qualidade no trabalho que se faz para Deus. O termo despenseiro alude a um administrador que, a serviço de seu senhor, cuida de sua casa, negócios, recursos, propriedades e pessoal. A tarefa desse despenseiro não era tanto manual, mas principalmente mental. Deus também capacita obreiros para tais ministérios (Ver 1Co 12.28 e Rm 12.8).CONCLUSÃO"Há pessoas que estão se conduzindo de modo dissoluto e fazendo mau uso dos bens que o Senhor deixou em suas mãos. São maus servos. Correm o risco de serem pegos de surpresa e acabarem lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. Por outro lado, o servo vigilante está preparado para a vinda de Jesus. Ele não apenas está vigilante como prega sobre a vinda de Jesus, pois como bom ministro e despenseiro sabe que é seu dever anunciar a vinda de Cristo. O vigilante guarda o que tem, exercitando seus talentos. Ele administra com fidelidade os bens de seu Senhor, sabendo que um dia será promovido às mansões celestiais."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 10, 9 Dez 18).Somos despenseiros das coisas celestiais e prestamos contas à Deus, a quem pertence todas as coisas (SI 24.1; Ag 2.8). No Antigo Testamento o mordomo era encarregado de uma casa (Gn 39.2-6; 43.19; 44.4). Já no Novo Testamento há duas palavras para definir o despenseiro: "epitropos" (Mt 20.8; Lc 8.3; Gl 4.2) isto é, alguém a cujos cuidados de guardião uma propriedade alheia foi confiada; e, que é traduzida como "administrador", "procurador" e "curador"; e "oiconomos", que ocorre por dez vezes, e é traduzido como "administrador", "despenseiro", "mordomo", "tesoureiro" e "tutor" (Lc 16.2,3; 1 Co 4.1,2; Tt 1.7; 1a Pe 4.10). Este último vocábulo provém de "oikos" (casa) e de "nomo" (dispensar ou gerir), o que da à palavra o sentido de gerente ou superintendente. Que todos nós sejamos despenseiros fiéis dos bens de nosso Pai Celestial, para que quando Ele enviar Seu Filho para nos buscar e acertar as contas conosco, sejamos bem recompensados por Ele na Sua vinda!

Projeto 5x1 dia 01/12/2018 

Culto nos condomínios em Araturi - Benção

Pr. Jeter e Narciso Marinho

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A apologética entre os pais da Igreja

Na era apostólica, os novos desafios que surgiram para a Igreja primitiva, espalhada por todo o Império Romano, requereram uma apologética incisiva. O judaísmo, o gnosticismo, o paganismo e a cultura e filosofia helenísticas se opuseram fortemente à Igreja. Os apologistas tiveram de defender o cristianismo contra todos esses ataques, buscando conduzir novas pessoas a Cristo e, ao mesmo tempo, mostrando a superioridade da posição cristã.

Justino Mártir (século 2o)

Os apologistas do século 2o desenvolveram seus argumentos, conforme refutações filosóficas, em resposta ao politeísmo e, segundo as críticas, contra a filosofia pagã, ambos artifícios sustentados pelos judeus helenísticos. Entre os apologistas desse período, o mais importante foi Justino Mártir (100-165), um discípulo convertido do platonismo ao cristianismo. Em seu diálogo com Trifão, o judeu, Justino usou as profecias messiânicas do Antigo Testamento para provar que Jesus é o Messias. Em suas duas Apologias, ele apelou para a tolerância civil ao cristianismo e o defendeu como verdadeira filosofia. Para mostrar que o cristianismo deveria ser tolerado, refutou erros comuns e boatos da época (por exemplo: que os cristãos eram ateus e comiam carne e sangue humanos) e apresentou o cristianismo como uma religião moralmente superior às demais. Para fundamentar seu argumento, de que o cristianismo era a verdadeira filosofia, Justino fez a primeira tentativa da história pós-bíblica de correlacionar as doutrinas do evangelho de João sobre o Logos com a filosofia grega, defendendo que o cristianismo era superior ao platonismo e que todas as verdades de Platão não eram mais que cópias de Moisés. No âmbito da argumentação, o posicionamento de Justino era biblicamente consistente e totalmente subordinado à visão cristã. Seus esforços concederam-lhe um lugar na história do cristianismo e ele tem sido considerado um pioneiro no tocante à produção da teologia e apologética cristã pós-bíblica.

Justino Mártir: biografia

O lugar do seu nascimento foi na cidade de Flávia Neápolis (atual Nablus), na Síria, Palestina ou Samaria. Na infância, sua educação incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto, mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo. Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e, então, lhe falou sobre Jesus. Ou seja, falou a Justino sobre os profetas que vieram antes dos filósofos, ensinando que esses servos de Deus profetizaram a vinda de Cristo e que suas profecias se cumpriram em Jesus. Depois, Justino disse o seguinte: "Meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e por aqueles que são amigos de Cristo tomou conta de mim; enquanto ponderava nessas palavras, descobri que o cristianismo era a única filosofia segura e útil". A convicção de Justino de que a verdade em Cristo era tão completa que ele morreu como mártir, sendo decapitado em 165 d.C..

Clemente de Alexandria e Orígenes (século 3o)

O século 3º alexandrino continuou a fomentar as idéias filosóficas do platonismo e do estoicismo, assim como as controvérsias judaicas. Clemente de Alexandria escreveu vários discursos teológicos e apologéticos intitulados "Protrepticus", um tratado bem mais sofisticado e persuasivo do que aqueles produzidos pelos apologistas do século 2o. Apesar disso, o apologista mais importante do século 3o foi o grego Orígenes (184-254), autor do extenso tratado "Contra Celsum", uma refutação à filosofia, à ética e ao criticismo histórico de Celsus em oposição ao cristianismo. Nessa obra, Orígenes defende, por exemplo, que Jesus não operou milagres por meio de feitiçaria, oferecendo uma defesa história impressionante da ressurreição de Jesus em resposta à teoria da alucinação supostamente sofrida pelos discípulos cristãos e outras objeções, além de mostrar que os relatos de milagres contidos nas narrativas pagãs eram incomparavelmente inverossímeis quando confrontados com aqueles constantes nos evangelhos. Tudo isso tornou a obra de Orígenes um clássico da apologética cristã através dos séculos.

Clemente de Alexandria: biografia

Nascido provavelmente em Atenas, de pais pagãos, foi instruído profundamente na filosofia neoplatônica. Já adulto, decidiu voltar-se ao cristianismo. No período pré-nicênico de formação da patrística, combateu os hereges gnósticos e teve um papel importantíssimo na história da hermenêutica entre os judeus e os cristãos no período patrístico. Em Alexandria, no período helenístico, a religião judaica e a filosofia grega se encontraram e se influenciaram mutuamente, surgindo, ali, a escola que, influenciada pela filosofia platônica, encontrou um método natural de harmonizar religião e filosofia na interpretação alegórica da Bíblia.

Clemente de Alexandria foi o primeiro a aplicar essa abordagem à interpretação do Antigo Testamento, em substituição à interpretação literal. Durante a perseguição aos cristãos (201-202), pelo imperador romano Sétimo Severo, Clemente transferiu um cargo que possuía na escola catequética ao discípulo Orígenes e refugiou-se na Palestina, junto a um antigo aluno, Alexandre, bispo de Jerusalém, lá permanecendo até sua morte.

Orígenes: biografia

O maior erudito da Igreja antiga, segundo J. Quasten, nasceu de uma família cristã egípcia e teve como mestre Clemente de Alexandria. No decurso de uma viagem à Grécia, em 230, foi ordenado sacerdote na Palestina pelos bispos Alexandre de Jerusalém e Teoctisto de Cesaréia. Em 231, Orígenes foi forçado a abandonar Alexandria devido à animosidade que o bispo Demétrio lhe devotava pelo fato de ele se ter castrado. Também, contribui para isso o fato de Orígenes ter levado ao extremo a apropriação da filosofia platônica, tendo sido considerado herético. Orígenes, então, passou a morar num lugar onde Jesus havia, muitas vezes, permanecido: Cesaréia, na Palestina, onde suas atividades prosseguiram com grande sucesso, abrindo a chamada Escola de Cesaréia. Na sequência da onda de perseguição aos cristãos, ordenada por Décio, Orígenes foi preso e torturado, o que lhe causou a morte, por volta de 253.

Aurelius Augustinus (séculos 4o e 5o)

No quarto e quinto séculos, as religiões pagãs se encontravam em declínio e o cristianismo predominava em todo o Império Romano, particularmente após o edito de Constantino, em 313. Os apologistas cristãos, romanos e gregos escreveram, orgulhosamente, sobre o propósito dos efeitos do cristianismo na transformação da vida dos convertidos. Eles também começaram a desenvolver apresentações mais sistemáticas sobre a cosmovisão cristã em contraste com as filosofias concorrentes, notadamente o neoplatonismo.

O maior apologista desse período e de todo o primeiro milênio depois de Cristo foi Aurelius Augustinus, chamado Agostinho (354-420), bispo de Hipona, cujas obras apologéticas e teológicas variaram amplamente em seus assuntos, contemplando desde a cultura humana até a filosofia e a história. Agostinho foi reconhecido vencedor em seu combate pessoal contra o maniqueísmo, uma filosofia dualística que ensinava que tanto o bem quanto o mal eram realidades últimas, valendo-se do auxílio do platonismo, que o convenceu de que o maniqueísmo era falacioso. Assim, não é de nos surpreender que seus primeiros trabalhos tenham se dedicado a refutar a filosofia maniqueísta.

Conforme Agostinho foi-se envolvendo com o cotidiano da Igreja, seus tratados apologéticos se diversificaram. Escreveu numerosas páginas sobre a vitória do cristianismo contra o paganismo, refutando as heresias que infestavam a Igreja, expondo a verdade cristã de maneira muito positiva em seus sermões e manuais de ensino voltados à edificação dos cristãos. Pesquisador, estudante e pensador notável, Agostinho foi capaz de desenvolver uma apologética baseada em uma cosmovisão metafísica mais sólida que seus predecessores. Apesar de sua visão de mundo ter-se mostrado densamente platônica em seus escritos iniciais, com maturidade espiritual, sua teologia e filosofia tornaram-se significativamente menos platônicas e mais bíblicas.

Especificamente, Agostinho tornou-se o primeiro teólogo e apologista cristão a abraçar, sem reservas, o posicionamento paulino acerca da fé e da soberania de Deus na salvação do homem. Esse pensamento paulino o habilitou a desenvolver uma visão de mundo e da história humana compreensiva e, ao mesmo tempo, sofisticada e filosófica. Tal filosofia era necessária para enfrentar as idéias pagãs, incluindo-se, entre elas, o platonismo, filosofia que Agostinho considerava muito próxima do cristianismo. Todas as correntes filosóficas contemporâneas de Agostinho eram corruptas e incapazes de aproximar o homem de Deus. A filosofia agostiniana foi exposta mais completamente em um de seus últimos trabalhos, A cidade de Deus, incontestavelmente reconhecido como um entre os cinco ou dez livros mais importantes da história do pensamento ocidental.

Na abordagem agostiniana, fé e razão interagem e culminam com o verdadeiro conhecimento de Deus, em Cristo. A razão precede a fé, ao menos para assegurar que esta é útil. Mas, para a fé, ainda que principiante, não basta crer. Antes, busca, também, compreender e, nesse movimento, é ultrapassada pela inteligência que subsiste eternamente. A fé, embora purificante, é transitória, pois aquele que sabe já não precisa crer. A fé precede a razão naquilo que é espiritual e invisível aos olhos carnais, não apenas no tocante à invisibilidade de Deus, mas, principalmente, em relação aos atos redentores de Deus em Cristo, ocorridos no passado e não podem ser diretamente testemunhado pelos fiéis. Por causa dessas verdades não testemunhadas pelos crentes, todo cristão precisa aceitar a autoridade da revelação divina, tal como expressa nas Sagradas Escrituras e testemunhada pela Igreja. Tais verdades passam, então, a ser entendidas assim que os cristãos começam a apreciar o significado delas de dentro para fora (fé-razão) e não de fora para dentro (razão-fé), pois a compreensão (razão) é a recompensa da fé. Por isso, segundo Agostinho, o cristão não deveria tentar compreender para crer, mas, antes, crer para compreender.

Agostinho foi o primeiro apologista a proclamar o princípio da fé em busca da compreensão (fides quaerens intellectum). Mas, para ele, essa questão era apenas "um lado da moeda". Ele, freqüentemente, expressou essa interação e interdependência entre a fé e a razão em suas declarações, como lemos: "A fé é um passo dado em direção à compreensão; e a compreensão é uma conquista da fé". Além disso, enfatizou em seus escritos que tanto a fé quanto a razão nos são concedidas mediante a graça divina dispensada a cada um de nós. Agostinho escreveu: "Ninguém é suficiente em si mesmo quanto à fé, seja ela incipiente ou perfeita, mas nossa suficiência está em Deus". Com isso, Agostinho não queria dizer que os não-cristãos eram completamente ignorantes a respeito de Deus, pois cita Romanos 1.20 para mostrar que alguns filósofos de sua época, especialmente os platonistas, foram capazes de reconhecer a Deus por meio de sua criação. A linha de raciocínio segundo a qual até mesmo os pagãos são capazes de admitir o Criador é essencialmente o que os filósofos chamariam posteriormente de argumento cosmológico. Esse foi apenas um dentre muitos argumentos que Agostinho empregou para defender que o conhecimento de Deus foi acessível aos pagãos. Contudo, esse conhecimento não é eficaz para impedir a idolatria e o politeísmo. A verdadeira adoração a Deus só é possível por meio da fé em Cristo e essa fé não é uma fé infundada. "Eles estão equivocados se pensam que acreditamos em Cristo sem qualquer evidência", afirmou Agostinho, que reuniu as provas que encontrou, formando um compilado apologético consistente para a defesa da fé em muitas áreas. Essas provas incluem as profecias cumpridas, a adoração da Igreja e a consistência do monoteísmo, os milagres da Bíblia e, especialmente, o milagre da conversão em massa da sociedade romana em um Deus que fora crucificado mesmo sabendo que essa fé os levaria ao martírio.

Aurelius Augustinus: biografia

Agostinho ensinou retórica nas cidades italianas de Roma e Milão. Nesta última, teve contato com o neoplatonismo cristão. Viveu num monastério por um tempo. Em 395, passou a ser bispo, atuando em Hipona (cidade da região Norte do continente africano). Escreveu diversos sermões importantes. Agostinho analisava a vida levando em consideração a psicologia e o conhecimento da natureza. Mas, o conhecimento e as idéias eram de origem divina. Para o bispo, nada era mais importante do que a fé em Jesus e em Deus. A Bíblia, por exemplo, deveria ser analisada, levando-se em conta os conhecimentos naturais de cada época.

Defendia, também, a predestinação, conceito teológico que afirma que a vida de todas as pessoas é traçada anteriormente por Deus. As obras de Santo Agostinho influenciaram muito o pensamento teológico da Igreja Católica na Idade Média.

Morreu em 28 de agosto (dia suposto) de 420, durante um ataque dos vândalos (povo bárbaro germânico) ao Norte da África.

A mitologia como aspecto da religiosidade

A antropologia na pregação do evangelho

Missionário, pastor, teólogo e escritor, atuou quase dez anos na África em implantação de igrejas e tradução da Bíblia para a língua Limonkpeln, de Gana. Atualmente, lidera uma equipe missionária na Amazônia

Um aspecto muito valorizado na fenomenologia é o mito. Numa breve conceituação, devemos dizer que o mesmo se distingue da história não por critérios de veracidade, mas, sim, pela forma. Não se refere, portanto, a uma história contada, mas a uma história vivida. Nas palavras de Malinowski, "o mito é uma realidade viva, que se crê ter acontecido em tempos recuados e que continua influenciando o mundo e o destino humano". Vemos, portanto, que o mito é, de fato, uma força cultural de implicações sociais. Mas, não é um elemento estático em sua cultura. Malinowski, mais uma vez, pontua que "o mito [...] é constantemente recriado; cada mudança histórica gera a sua mitologia que, no entanto, apenas se relaciona indiretamente com o fato histórico. O mito é um constante derivado da fé viva, que carece de milagres; de estudo sociológico, que exige antecedentes; de norma moral, que requer sanção".

Malinowski, assim, nos apresenta uma tese provável. Observo que a religiosidade de um povo, especialmente animista, é dinâmica e baseada, sobretudo, em sua mitologia. Mas, perguntamo-nos, algumas vezes, se os mitos fundamentam a religiosidade ou se a religiosidade gerou os mitos. De certa forma, mito e magia compartilham o mesmo valor utilitário. Enquanto a magia se propõe a ser uma prática de manipulação da vida, o mito fundamenta as idéias, conceitos e crenças, para que a vida faça sentido, sobretudo, a religiosidade. As explicações da vida, da existência, dos poderes que regem o mundo, das enfermidades, certezas e incertezas, a dubialidade do Universo, seus valores, tudo pode ser encontrado na mitologia de um grupo quando a mesma é preservada e transmitida.

Um exemplo em Gana

Nossa observação, sobretudo dos konkombas de Gana, leva-nos a pensar que há uma modulação entre o perfil étnico e a mitologia presente. Ou seja, a forma tradicional ou progressista, ética ou aética, mágica ou espiritualista, teófana ou naturalista, de um grupo coincide com os elementos em sua mitologia, que fundamentam não apenas suas crenças, mas, também, seu perfil etno-social, desde o agrupamento até a solução para os conflitos da vida.

Sendo a mitologia dinâmica, possivelmente os representantes de um grupo, com clara fundamentação em sua mitologia, não apenas se utilizaram dos mitos existentes, como, também, criaram e recriaram esses e novos mitos, a fim de que se encaixassem no perfil do povo e suprissem sua expectativa.

Dessa forma, a mitologia não é apenas fundante, mas, também, manipulada. Não ocorre de forma intencional, coletiva, mas fragmentada e individualizada. Logo, os mitos não guardam apenas as explicações da vida. Ou seja, em alguns casos, os mitos são um resultado fabricado da própria vida.

Entre os Konkombas de Gana, a mitologia que contorna o personagem Uwumbor é enigmática ao falar de um ser que criou e se distanciou, que observou o pecado do ukpakpalja (homem ganancioso) e se revoltou, levando consigo o paacham (paraíso). Mas, essa mitologia também afirma que Uwumbor, desde os tempos remotos, desceu à terra mais duas vezes para punir o povo, por causa do crescimento do seu mal.

Essa crença mitológica coincide, porém, com uma epidemia que teria devastado boa parte da etnia konkomba-bimonkpeln, em 1870, e com a guerra contra os senhores da terra (gonjas e dagombas), em 1942, que se repetiu em 1993 e 1997.

Naquele ano, mais precisamente em 1942, muitos konkombas foram mortos, especialmente os representantes dos principais clãs. Se por um lado percebemos que a mitologia de Uwumbor e ukpakpalja, que remonta a um tempo antigo, a um passado recuado, patrocinou crenças e convicções por meio de um deus distante e espíritos presentes, levando-os a toda sorte de atos de invocação, adoração e temor, por outro, percebemos que o elemento utilitário (produzido de forma intencional) do retorno de Uwumbor serve para explicar os fatos da vida, no caso: a epidemia e a guerra perdida. Assim, os mitos funcionam como interlocutores entre os grupos com enraizada tradição oral e interagem com a vida, explicando-a e sendo moldados, a fim de explicá-la.

A categorização dos mitos

Mitos, então, são narrativas de idéias mais antigas. Se os novos mitos podem ser criados, os mais antigos influenciam mais a comunidade.

A seguir, algumas categorias de mito. Vejamos:

Mitos de cosmogonias

Relatam sistemas e momentos de origem do Universo e do homem pelo deus, deuses ou força geradora de vida. Esses mitos nos ajudam na teologia da criação. Os mitos de cosmogonias são presentes, sobretudo, em culturas tradicionais, históricas, teófanas e espiritualistas, apesar de também serem encontrados em agrupamentos mágicos. Normalmente, agrupamentos totêmicos possuem vasta preservação dos mitos de cosmogonias, visto que, ali, estão enraizadas parte da lógica totêmica que compõe um grupo ou clã.

Mitos de antropogonias

Relatam a criação do ambiente de vida do homem, como, por exemplo, animais, plantas e ar. Também nos ajudariam nas teologias da criação.

Mitos antigos

Relatam períodos marcantes após a criação. Entre os aborígines da Austrália, é chamado de "tempo dos sonhos". Entre os bassaris do Togo, são "as árvores que contam a história". Trata-se, aqui, de mitos e lendas que falam do tempo em que deus e homem conversavam, os primeiros traidores, os primeiros heróis, o crime mais hediondo, os famosos ancestrais, o início dos clãs e grupos, a divisão de línguas, a dispersão social e outros aspectos que nos ajudam na teologia da queda.

Mitos de metamorfose

Relatam eventos marcantes, responsáveis pelas mudanças da forma "antiga" do mundo que o tornaram como é hoje. Devemos lembrar que, entre os konkombas, há aquele mito que relatei sobre o "homem ganancioso", primeiro criado por Uwumbor, que subia na copa da árvore a cada fim de dia para cortar um bom pedaço de carne do céu azul, que é cheio de carne e era baixo o suficiente. Sua ordem era retirar apenas o necessário para o dia. Entretanto, desconfiando de Uwumbor, certo dia, o ukpakpalja ("homem ganancioso") cortou carne para muitos e muitos dias e a escondeu. No dia seguinte, a carne colhida apodreceu, causando grande desilusão a Uwumbor, que se distanciou e levou consigo o céu, pacham, para bem longe, para o alto, tornando-o inatingível. Esse tipo de mito nos ajuda na teologia da união com Deus e na expectativa da proximidade com Deus, como temos na teologia da reconciliação.

Mitos de seres espirituais

Relatam os personagens invisíveis, seus nomes, feitos, origem e história. Ajudam-nos a definir o mundo do além e o mundo do aquém.

Mitos naturais

Relatam e explicam, muitas vezes, fatos naturais, como, por exemplo, a chuva, os raios, os trovões, o curso dos rios e os sistemas afins. Podem nos ajudar, a partir do extrato de suas explicações, a explicar o evangelho.

Mitos messiânicos

Relatam personagens ou forças que trazem salvação ao povo. Antropólogos tendem a crer que são raros, porém, tais mitos ocorrem, não objetivamente, em diversas culturas. Para os tarianas, por exemplo, o mito de Keeteh pode representar o messianismo quando relata a luz que, ao fim, brilhará e jogará longe a tristeza do povo Tária.

Para os konkombas de Gana, o mantotiib ("pacto de amizade entre famílias outrora inimigas") poderia ser empregado para apontar um que faria o mantotiib ("pacto") entre Deus e os homens.

Para os chakalis, quebrar uma cabaça significa perdão. Cantigas louvam "aquele" que quebrará a grande cabeça, onde se encontram todas as maldades dos chakalis. São mitos messiânicos e ajudam na teologia da redenção.

Independentemente das divergências antropológicas, se os mitos geram idéias ou se as idéias geram os mitos, são as idéias que nos interessam, não importa tanto a sua gênese.

A história é uma narrativa verídica comprovada e o mito necessita de fé, pois é uma narrativa experimentada.

Referências:

1 MALINOWSKI, Bronislaw. Magia, ciência e religião. Lisboa: Edições 70, 1988.

2 Idem.

3 Crença em que todas as formas identificáveis da natureza possuem uma alma e agem intencionalmente.

4 Conjunto de idéias e práticas baseado na crença num parentesco místico entre os homens e os animais, as plantas, os objetos e/ou os fenômenos naturais, que constituem o totem. Este, por sua vez, poderia ser um animal, planta ou objeto que serve como símbolo sagrado de um grupo social (clã, tribo) e é considerado seu ancestral ou divindade protetora.

Apologética na história da Igreja

Nas edições anteriores, falamos sobre a apologética nos escritos de Paulo, João e Pedro. Depois, prosseguimos com Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Orígenes e Agostinho. Agora, veremos as contribuições de Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino.

Anselmo (1033-1109)

No século 7o, o cristianismo tinha absorvido a cultura greco-romana e triunfado em sua luta contra o paganismo. A Igreja era a principal expressão da cultura ocidental e seus apologistas concentraram esforços em três direções durante a Idade Média: os judeus não-convertidos, a ameaça islâmica e a fé em busca da compreensão. E foi justamente nesse período que os dois filósofos cristãos em referência (isto é, Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino) se destacaram por suas contribuições com seus trabalhos que, ainda hoje, continuam sendo lidos e debatidos.

Anselmo, arcebispo de Cantuária, foi um dos mais criativos e originais filósofos que a Igreja cristã já concebeu. Ele enfatizava a visão de Agostinho sobre a fé e a razão, que consistia na primazia daquela sobre esta: "Pois eu não procuro entender para crer, mas eu creio para entender". Apesar de seus argumentos filosóficos serem freqüentemente tratados apenas como provas racionalistas desenvolvidas para convencer ateístas, para Anselmo, no entanto, revelavam a busca pelo entendimento por parte de alguém que já era crente. Por outro lado, é fato que alguns de seus argumentos tinham mesmo a intenção de atuar como evidências para responder aos incrédulos, a fim de confrontá-los com a verdade, como veremos a seguir.

O mais famoso desses argumentos filosóficos ficou conhecido como "argumento ontológico", um grande suporte para a apologética no período escolástico. A essência desse argumento defende ser inevitável reconhecer a grandeza que envolve o fato de existirmos e a necessidade de um Criador. Partindo da idéia de que "sem um ser superior nada maior pode ser pensado", Anselmo infere a existência ou ser de Deus.

O argumento tem sido interpretado de muitas maneiras e, às vezes, tem levado a conclusões divergentes. Freqüentemente, tem sido apontado como uma prova racional da existência de Deus e, por causa disso (mas nem sempre), tem sido rejeitado tanto por filósofos cristãos como por incrédulos. Alguns pensadores têm tomado esse argumento para provar que: se existe um Deus, Ele precisa ser um ente necessário, alguém que precisa existir e não poderia simplesmente não existir. Diferentemente, mas nesta mesma linha de raciocínio, um ente cuja existência fosse meramente contingente (ocasional) poderia existir ou não, sem implicações para os demais seres existentes. Ainda outros têm oferecido reinterpretações radicais para esse argumento. Karl Barth, por exemplo, pensava que o argumento queria demonstrar que Deus precisa revelar-se a si mesmo para ser conhecido. Charles Hartshorne reformulou o argumento de Anselmo para provar sua visão teológica processual, segundo a qual Deus não é o maior ente possível, mas está sempre sendo o maior ente possível. Essa diversidade de interpretações certamente desnorteia qualquer pesquisador e prova a genialidade do raciocínio de Anselmo.

A interpretação mais clássica de seu argumento, melhor explicada, seria a seguinte:

1) Percebemos uma hierarquia nos seres, tanto específica quanto genérica, e, para cada ser, deve haver um exemplar, o mais perfeito.

2) Pode-se conceber um ser mais perfeito que todos.

3) Pode-se conceber um ser acima do qual nada se possa imaginar.

4) Esse ser existe necessariamente, pois, se não existisse, não seria o maior, e negá-lo seria negar a hierarquia dos seres.

Outra grande contribuição de Anselmo para a apologética pode ser encontrada em seu livro Cur Deus Homo [Por que Deus se tornou humano?], no qual argumenta que Deus se tornou homem porque apenas Deus, em seu infinito ser, poderia prover uma satisfação (ou compensação) infinita para o pecado humano.

No prefácio à referida obra, Anselmo observa que os mestres da Igreja "discutem as bases da fé cristã não somente para desmascarar a tolice de alguns crentes e quebrantar seus corações, mas, também, para alimentar aqueles que, tendo seus corações limpos pela fé, deleitam-se com os fundamentos racionais dessa mesma fé - um amparo racional que devemos perseguir".

A primeira parte do referido livro contém respostas de cristãos às objeções de incrédulos que repudiam a fé cristã por ser esta supostamente incompatível com a razão. O livro prova racionalmente que nenhum homem poderia ser salvo sem Jesus Cristo. Nas primeiras páginas, Anselmo explica que o escreveu a pedido de outros crentes. Eles queriam um livro que "não os aproximasse da fé pela razão apenas, mas que fosse capaz também de proporcionar-lhes a compreensão e a contemplação das doutrinas nas quais eles acreditavam, assim como os preparassem para estar prontos, da melhor maneira possível, para dar uma resposta satisfatória a qualquer que lhes perguntassem sobre a razão da esperança que havia neles". Nesse livro, Anselmo conclui que "os incrédulos procuram a razão porque não crêem, enquanto os crédulos fazem a mesma coisa porque já crêem, e ambos os grupos estão em busca de algo".

Essas declarações deixam claro que Anselmo não enxergava seu trabalho com um propósito apenas apologético. Antes, foi muito cuidadoso ao negar qualquer intenção de destronar a fé como a base da convicção cristã e esperava oferecer aos seus leitores argumentos racionais que pudessem provar aos incrédulos que a fé cristã tinha uma base racional. Evidentemente, Anselmo via esses argumentos como meios para deixar os incrédulos sem desculpas racionais e, até mesmo, para persuadi-los a aceitar a fé cristã. Contudo, apesar de esses argumentos servirem de ajuda para trazer uma pessoa à fé cristã, para Anselmo, porém, essa fé precisava ser depositada não em argumentos racionais, mas no próprio Cristo.

O raciocínio ontológico de Anselmo de Cantuária

Premissa 1: Existe na mente de todo homem a idéia de um ser a partir do qual não se pode pensar outro maior.

Premissa 2: Existir só na mente é menos perfeito do que existir na mente e também na realidade.

Premissa 3: Se o ser maior do qual não se pode pensar outro só existisse na mente, seria menor do que qualquer outro que também existisse na realidade.

Conclusão: Logo, o ser do qual não se pode pensar outro maior deve existir também na realidade (existência real necessária), logo, conclui-se que existe Deus e esse ser é perfeitíssimo.

Tomás de Aquino

No século 13, a Europa cristã foi abalada com a redescoberta e a difusão dos trabalhos filosóficos de Aristóteles e com o ímpeto dado à visão de mundo aristotélica defendido pelo brilhante filósofo árabe-espanhol Averróis. A crescente influência do pensamento de Averróis nas universidades européias culminou em uma crise entre o pensamento cristão e o pensamento dele. Alguns acadêmicos das universidades começaram a abraçar acriticamente o aristotelismo, enquanto outros, especialmente os ministros da igreja, começaram a condenar qualquer coisa vinda do aristotelismo. Alberto Magno foi um dos primeiros filósofos a se levantar contra esse desafio ao escrever sobre a unidade do pensamento contra Averróis. Mas seu discípulo, Tomás de Aquino (1225-1274), foi quem, de fato, forneceria uma resposta definitiva a esse desafio, de maneira tal que mudaria o curso da filosofia e da apologética cristã.

Tomás de Aquino buscou combater a cosmovisão greco-árabe desenvolvendo uma filosofia cristã por meio da lógica aristotélica. Em sua obra, Suma contra os gentios, apresenta uma apologética direcionada, em primeiro lugar, a Averróis, mas, também, abrindo margem para a compreensão de uma filosofia cristã nos termos aristotélicos. Sua outra obra, Suma teológica, foi um tratado de teologia sistemática voltado a instruir os estudiosos cristãos sobre a teologia e é muito importante, pois contém sólidas incursões na apologética e na teologia da fé.

A dicotomia entre fé e razão assumida por Aquino é freqüentemente contrastada com a de Agostinho, mas, a despeito de suas distinções semânticas e estruturais, as concepções de ambos os pensadores não estão emancipadas.

De acordo com Aquino, algumas verdades sobre Deus são apreensíveis pela razão ou pela fé, porém, outras poderiam ser acessadas somente pela fé. Até mesmo certas verdades apreensíveis pela razão são dependentes da fé em certo sentido, pois a nossa razão é finita, propensa a errar, suscetível ao pecado, e sempre incerta. Por outro lado, a fé é totalmente segura, porque firma-se na revelação do próprio Deus sobre si mesmo.

Aquino ficou muito conhecido devido aos seus cinco argumentos em favor da existência de Deus. Esses argumentos teístas têm sido assunto de inúmeros debates por mais de dois séculos. O próprio Aquino não deu grande ênfase a essas cinco argumentações, que consomem apenas algumas poucas páginas em seus dois tratados. Conforme o pensamento de Aquino, a existência de Deus é, ainda que vagamente, reconhecida por todos os seres humanos. A existência de Deus pode ser inferida pela natureza de um mundo variável, causativo, contingente, graduado e ordenado.

Segundo Aquino, essas evidências mostram que um Deus existe, mas não provam Deus por si mesmas. Para ele, a fé em Deus deve basear-se em sua revelação nas Sagradas Escrituras e não nessas evidências extrínsecas. A princípio, tais evidências não são apresentadas por Aquino como uma refutação ao ateísmo, que, a propósito, sequer era uma corrente expressiva no período escolástico; antes, essas evidências atestam a coerência entre o cristianismo e o aristotelismo.

De maneira muito interessante, Aquino foi um crítico de certas espécies de evidências teístas. Como exemplo, podemos ressaltar que ele rejeitou o argumento ontológico de Anselmo. Aquino deu particular atenção às provas fundadas sobre bases filosóficas contra a eternidade do mundo. Concluiu que a filosofia não poderia provar nem rejeitar a eternidade do mundo e, conseqüentemente, não poderia também provar a existência de Deus a partir do fato da origem (criação) do mundo no tempo. Em vez disso, Aquino salientou que não devemos crer que o mundo é eterno, porque sabemos, por meio da revelação de Deus em suas Sagradas Escrituras, que o mundo foi criado por Ele num dado instante.

Aquino, muitas vezes, empregou as evidências tradicionais do cristianismo seguindo a linha de raciocínio de Agostinho, mas incluiu entre elas a conversão das massas, a fidelidade das profecias e os milagres. Ele foi muito cuidadoso ao apontar, porém, que esses argumentos mostram que o cristianismo é plausível e podem ser usados para refutar várias objeções, mas não são tão eficazes para tornar o cristianismo crível aos incrédulos.

Em resumo, os cinco argumentos que para Tomás de Aquino demonstram a existência de Deus são:

1) O primeiro motor imóvel: o movimento existe, é evidente aos nossos sentidos. Ora, tudo aquilo que se move é movido por outra força, ou motor. Não é lógico que haja um motor, outro e outro, e assim indefinidamente; há de haver uma origem primeira do fenômeno do movimento, um motor que move sem ser movido, que seria Deus.

2) A causa primeira: toda causa é efeito de outra, mas é necessário que haja uma primeira causa não causada, que seria Deus.

3) O ser necessário: todos os seres são finitos e contingentes ("são e deixam de ser"). Se tudo fosse assim, todos os seres deixariam de ser e, em determinado momento, nada existiria. Isto é absurdo; logo, a existência dos seres contingentes implica em um ser necessário, ou Deus.

4) O ser perfeitíssimo: os seres finitos realizam todos determinados graus de perfeição, mas nenhum é a perfeição absoluta; logo, há um ser sumamente perfeito, causa de todas as perfeições, que seria Deus.

5) A inteligência ordenadora: todos os seres tendem para uma finalidade, não em virtude do acaso, mas segundo uma inteligência que os dirige. Logo, há um ser inteligente que ordena a natureza e a encaminha para seu fim; esse ser inteligente seria Deus.

Para finalizarmos, a originalidade do pensamento de Tomás de Aquino evidencia-se em sua concepção de existência, vista como ato supremo e como a perfeição de estar em Deus e, ao mesmo tempo, entre as coisas criadas; na atribuição do ato criativo unicamente a Deus; na negação da existência de matéria nos seres angelicais e, conseqüentemente, na distinção entre Deus e as criaturas, definidas como uma composição de existência e essência. Todas as criaturas teriam o amor a Deus como tendência natural. Na visão de Tomás de Aquino, o teólogo aceita a autoridade e a fé como pontos de partida e procede, então, a conclusões mediante o uso da razão. O filósofo é aquele que se atém à razão. Pela primeira vez, a teologia foi expressamente definida dessa maneira, o que ocasionou um sem-número de oposições, algumas das quais perduram ainda, sobretudo entre religiosos para os quais a razão é sempre vista como intrusa em questões de fé.

Categorias das obras de Tomás de Aquino

1) Comentários: à lógica, à física, à metafísica, à ética de Aristóteles; às Sagradas Escrituras; a Dionísio pseudo-areopagita; aos quatro livros das sentenças de Pedro Lombardo.

2) Sumas: Suma contra os gentios, baseada substancialmente em demonstrações racionais. Suma teológica, iniciada em 1265, ficando inacabada, devido à morte prematura do autor.

3) Questões: Questões disputadas (da verdade, da alma, do mal, etc.); Questões várias.

4) Opúsculos: Da unidade do intelecto contra os averroístas. Da eternidade do mundo. Entre outros.

Extremismo cristão - Uma breve análise bíblica e histórica

"... Vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus" (Jo 16.2)

Cristianismo e extremismo religioso

A primeira coisa a dizer sobre o assunto é o seguinte: qualquer violência, de qualquer espécie, que tenha acontecido na história sob a bandeira do cristianismo não passa de uma distorção desse mesmo cristianismo. Isso porque o cristianismo nasceu do ensino de Cristo e de seus discípulos e apóstolos, e seus escritos são a única fonte autorizada da doutrina cristã. E tudo aquilo que não está de acordo com ela não pertence a ela, definitivamente!

A Guerra dos Trinta Anos, que varreu a Europa de 1618 a 1648, e o atual conflito entre as Irlandas do Norte e do Sul, são embates de natureza política, cujos grupos antagônicos se identificaram com determinado ramo do cristianismo. Os conflitos por lá existem sim, mas não por causa do evangelho, e muito menos por conseqüência dele.

As guerras e as revoluções são efetivadas como resultado de uma busca pelo poder e riqueza. Os povos, ou mesmo os governantes envolvidos nesses conflitos, apresentam uma cultura particular, muitas vezes uma cultura cristã, seja ela católica, protestante ou outra. Cultura cristã, todavia, não é sinônimo de cristianismo, e muito menos de doutrina cristã. Agressões podem ter sido feitas em nome do cristianismo, mas nunca com sua aprovação. Não negamos que atos reprováveis desta natureza tenham acontecido no passado ou aconteçam no presente tempo. O que queremos esclarecer é que estes atos não têm o mínimo apoio das Escrituras.

O cristianismo bíblico é sofredor e não agressor

"Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem..." (Mt 5.38-45).

Matar, ferir, agredir, prender, coagir em nome da fé cristã é uma negação desta mesma fé cristã. Nenhum cristão, em obediência à Palavra de Deus, está autorizado ou motivado a cometer ações extremas em nome de Cristo. Se um soldado cristão já o fez, fê-lo em nome de seu país, justa ou injustamente, mas não por ser um cristão.

Na verdade, nem mesmo as agressões aos cristãos nos países de maioria não-cristã justificam uma reação agressiva por parte da Igreja, quer seja provocada pela manifestação popular, que seja pela ação estatal. O espírito pacifista do cristianismo foi um ingrediente poderoso para a promoção da conversão do Império Romano. A paciência e resignação dos mártires diante de seus algozes convenceram a população do Império quanto à superioridade da mensagem cristã. Os cristãos primitivos estavam prontos a morrer por sua fé, mas nunca a matar por causa dela.

O cristianismo bíblico é persuasivo e não impositor

"Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns" (1Co 9.19-22).

Esta é a forma bíblica de expansão do evangelho. Nada de agressões verbais ou físicas. Nada de imposições ou obrigações estabelecidas, seja pelo Estado, seja por alguma instituição sujeita ao governo. Pregar e ensinar foram o método estabelecido por Jesus para divulgar sua mensagem ao mundo e foi justamente dessa forma que seus discípulos procederam. Se pessoas mudariam sua fé, elas o fariam por meio da persuasão dos pregadores e não pela coação.

O cristianismo nasceu ancorado somente no poder da Palavra divina. Não dispunha de poder político, econômico ou militar. E, em seus escritos, jamais considerou esses elementos necessários para cumprir sua missão. Só veio apropriar-se desses meios mais de três séculos após sua existência, mas, mesmo assim, somente uma pequena parcela de seus seguidores lançou mão deles. O cristianismo continuou se expandido. E, se no período colonial cresceu ancorado em ações estatais, a fé cristã, no entanto, não deixou de se espalhar, mesmo depois de haver perdido esse apoio. Na verdade, passou a manifestar seu verdadeiro caráter: persuadir os homens à fé por meio da pregação inspirada pelo Espírito Santo de Deus.

O cristianismo bíblico é espiritual e não bélico

"Porque as armas da nossa milícia não são carnais..." (2Co 10.4), diria o apóstolo. O combate pelo evangelho, tantas vezes mencionado (Ef 6.12; Fl 1.27,30; Cl 1.29), era apenas uma analogia, uma comparação. Em nenhum momento, a espada foi colocada como meio de propagação da Palavra de Deus. "Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão", disse Jesus (Mt 26.52).

As atuais dimensões da fé evangélica no mundo, principalmente no hemisfério Sul, são fruto do movimento missionário do século 19. Em poucas vezes, houve a imposição das forças imperialistas. Em sua maior parte, dependeu da dedicação de homens consagrados à tarefa de ganhar almas e dos avivamentos decorrentes de seu trabalho.

Em sua busca de evangelizar o mundo, o "fator indivíduo", não o "fator país", predomina no que diz respeito à visão de expansão da fé bíblica. A idéia de ganhar os governantes para converter a nação não é corrente. Cada indivíduo de cada nação precisa ser levado a uma decisão por Cristo. Esse é o fundamento das Escrituras, que mostram a mensagem de salvação não como algo destinado a ser cultura de um povo específico, mas como experiência particular de cada pessoa.

Extremismo filosófico

Ninguém se apóie em extremismos cristãos ocorridos na história e em atuais conflitos bélicos justificados pela religião para condenar o cristianismo. Os grupos ateístas e secularistas modernos gostam de atribuir à religião a culpa exclusiva pelos embates bélicos mundiais. Deduzem que se não houvesse ideologias religiosas, haveria paz.

Todavia, isto não é verdade. Qualquer extremismo é nocivo, seja ele religioso ou não. A intolerância, e não a convicção de qualquer espécie, atua como um motor por trás da agressão e do terrorismo. Qualquer ideologia, por mais passiva e neutra que seja, pode se tornar fonte de conflitos quando levada a extremos. A história é testemunha disso.

Entre os exemplos mais próximos, temos o nazismo e o comunismo. Estes não têm base religiosa, ao menos declaradamente. Entretanto, apoiados em pressupostos raciais ou filosóficos, produziram uma infinidade de mortos e um sem número de guerras em todo o mundo. Segundo O livro negro do comunismo, lançado pela editora Bertrand Brasil, o comunismo produziu entre 85 e 100 milhões de mortos, geralmente por se oporem à revolução, ou como tática política para efetivação da mesma.1

Logo, conflitos não são exclusividade da religião.

Heresias primitivas

"O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos antes de nós" (Ec 1.10)

Você sabia que o batismo pelos mortos foi uma heresia apregoada cerca de 1600 anos antes da "revelação", que é atribuída pelos mórmons a Joseph Smith Jr.? Esse é apenas um dos muitos desvios doutrinários que atravessaram séculos e foram incorporados pelas seitas pseudocristãs.

A "revelação", baseada na necessidade de restaurar a igreja, e a rejeição ao Antigo Testamento surgiram na mesma época e fluíram dos ensinamentos de Márcion. Montano pregou que o fim do mundo ocorreria em sua geração e atribuiu a si o fato de iniciar e findar o ministério do Espírito Santo. Sabélio, com seu modalismo, foi outra fonte de distorções bíblicas que até hoje é disseminada entre os evangélicos. Ainda fazem parte desse grupo Mani, com sua doutrina reencarnacionista; Ário, que deturpou a natureza de Jesus ao apresentá-lo como um ser criado (gravíssimo engano sustentado pelas testemunhas de Jeová); Apolinário, que, ao contrário do antecedente, negou a humanidade de Cristo; Nestório, que ensinava a existência de duas pessoas distintas em Cristo; Pelágio, que, como os islâmicos e outros grupos religiosos, negava a doutrina do pecado original; e Eutíquio, que afirmava que a natureza humana de Cristo havia sido absorvida pela divina.

Como podemos inferir, as heresias combatidas pela igreja contemporânea foram enfrentadas pela igreja primitiva que, com muito esforço e com a ajuda de concílios e credos, conseguiu defender a fé que "de uma vez por todas foi entregue aos santos". Continuemos a defendê-la!

Márcion (95 - 165)

Informações indicam que Márcion nasceu em Sinope, no Ponto, Ásia Menor. Foi proprietário de navios, portanto, muito próspero, e aplicou sua vida à fé religiosa, primeiramente como cristão e, finalmente, ao desenvolvimento de congregações marcionitas.

Influente líder cristão, suas idéias lhe conduziram à exclusão, em 144 d.C. Então, formou uma escola gnóstica. Tendo uma mente prolífera, desenvolveu muitas idéias, as quais foram lançadas em uma obra apologética alvo de combate de apologistas, especialmente Tertuliano e Epifânio.

Procurou ter uma perspectiva paulina, contudo, incluiu muitas idéias próprias e conjecturas sem respaldo bíblico. Era convicto de uma missão pessoal: restaurar o puro evangelho. Antes, rejeitou o Antigo Testamento por achá-lo inútil e ultrapassado, além de afirmar que foi produzido por um deus inferior ao Deus do evangelho. Para Márcion, o cristianismo era totalmente independente do judaísmo; era uma nova revelação. Segundo ele, Cristo pegou o deus do Antigo Testamento de surpresa e este teve de entregar as chaves do inferno Àquele. Além disso, Cristo não era Deus, apenas uma emanação do filho de Deus. O único apóstolo fiel ao evangelho, segundo Márcion, fora Paulo, em detrimento dos demais apóstolos e evangelistas. Conseqüentemente, a Igreja primitiva havia desviado e, por isso, necessitava de uma restauração. Ainda segundo ele, o homem devia levar uma vida asceta, o casamento, embora legal, era aviltador.

Entre seus muitos ensinos, encontramos o batismo pelos mortos.

O cânon de Márcion restringia-se às dez epístolas de Paulo e à uma versão modificada do Evangelho de Lucas.

Gnosticismo

Nome derivado do termo grego gnosis, que significa "conhecimento". Os gnósticos se transformaram em uma seita que defendia a posse de conhecimentos secretos. Segundo eles, esses conhecimentos tornavam-nos superiores aos cristãos comuns, que não tinham o mesmo privilégio. O movimento surgiu a partir das filosofias pagãs anteriores ao cristianismo que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia (Macedônia). Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do cristianismo, o gnosticismo tornou-se uma forte influência na igreja.

A premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista. O supremo Deus Pai emanava do mundo espiritual "bom". A partir dele, surgiram sucessivos seres finitos (éons) até que um deles, Sofia, deu à luz a Demiurgo (Deus criador), que criou o mundo material "mau", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem.

Cristãos gnósticos, como Márcion e Valentim, ensinavam que a salvação vem por meio desses éons, Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo material mais elevado. Cristo, embora parecesse ser homem, nunca assumiu um corpo; portanto, não foi sujeito às fraquezas e às emoções humanas.

Algumas evidências sugerem que uma forma incipiente de gnosticismo surgiu na era apostólica e foi o tema de várias epístolas do Novo Testamento (1João, uma das epístolas pastorais). A maior polêmica contra os gnósticos apareceu, entretanto, no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu, Tertuliano e Hipólito. O gnosticismo foi considerado um movimento herético pelos cristãos ortodoxos. Atualmente, é submetido a muitas pesquisas, devido às descobertas dos textos de Nag Hammadi, em 1945/46, no Egito. Muitas seitas e grupos ocultistas demonstram alguma influência do antigo gnosticismo ("Dicionário de religiões, crenças e ocultismo". George A. Mather & Larry A Nichols. Vida, 2000, pp 175-6).

Montano (120 - 180)

Por volta do ano 150 d.C., surgiu na Frígia um profeta chamado Montano que, junto com Prisca e Maximilia, se anunciou portador de uma nova revelação. Inicialmente, esse novo movimento reagiu contra o gnosticismo, contudo, ele mesmo se caracterizou por tendências inovadoras. As profecias e revelações de Montano giravam em torno da segunda vinda e incentivavam o ascetismo.

Salientavam fortemente que o fim do mundo estava próximo, e esperavam esse acontecimento para a sua própria geração. Insistiam sobre estritas exigências morais, como, por exemplo, o celibato, o jejum e uma rígida disciplina moral. Exaltavam o martírio e proibiam que seus seguidores fugissem das perseguições. Alguns pecados eram imperdoáveis, independente do arrependimento demonstrado.

Finalmente Montano afirmou ser o Paracleto, pois nele iniciaria e findaria o ministério do Espírito Santo. Prisca e Maximilia abandonaram seus respectivos maridos para se dedicarem à obra profética de Montano. Algumas vezes, Montano procurava esclarecer que ele era um agente do Espírito Santo, mas sempre retornava à sua primeira posição e afirmava ser o Consolador prometido. Sua palavra deveria ser observada acima das Escrituras, porque era a palavra para aquele tempo do fim.

Esse movimento desvaneceu-se no terceiro século no Ocidente e no sexto, no Oriente.

Ascetismo

Autonegação, visão de que a matéria e o espírito estão em oposição um ao outro. O corpo físico, com suas necessidades e desejos inerentes, é incompatível com o espírito e sua natureza divina. O ascetismo defende a idéia de que uma pessoa só alcança uma condição espiritual mais elevada se renunciar à carne e ao mundo.

O ascetismo foi amplamente aceito nas religiões antigas e ainda hoje é uma filosofia proeminente, sobretudo nas seitas e religiões orientais. Platão idealizou-o. As seitas judaicas, como os essênios, praticavam-no fervorosamente e o cristianismo institucionalizou-o, com o desenvolvimento de várias ordens monásticas. O gnosticismo foi o maior defensor dessa filosofia ("Dicionário de religiões, crenças e ocultismo". George A. Mather & Larry A Nichols. Vida, 2000, p. 23).

Sabélio (180 - 250)

Nasceu na Líbia, África do Norte, no terceiro século depois de Cristo. Depois, mudou-se para a Itália, passando a viver em Roma. Ao conhecer o evangelho, logo se tornou um pensador respeitado em suas considerações teológicas. Recebeu influência do Modalismo que já estava sendo divulgado na África.

O Modalismo ocorreu, no início, como um movimento asiático, com Noeto de Esmirna. Os principais expoentes do movimento: Noeto, Epógono, Cleômenes e Calixto. Na África, foi ensinado por Práxeas e na Líbia, defendido por Sabélio. Hoje, o Modalismo é muito conhecido pelo nome sabelianismo, devido à influência intelectual fornecida por Sabélio. O objetivo de Sabélio era preservar o monoteísmo a qualquer custo. Tinha um objetivo em vista que, pensava, justificava os meios.

Ensinava que havia uma única essência na divindade, contudo, rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência. Afirmava que isso designaria um culto triteísta, isto é, de três deuses. A questão poderia ser resolvida, afirmava, pelo conceito de que Deus se apresentaria com diversas faces ou manifestações. Primeiramente, Deus se apresentou como Deus Pai, gerando, criando e administrando. Em seguida, como Deus Filho, mediando, redimindo, executando a justiça. E finalmente e sucessivamente, como Deus Espírito Santo, fazendo a manutenção das obras anteriores, sustentando e guardando. Uma só Pessoa e três manifestações temporárias e sucessivas.

Mani (216 - 277)

Nasceu por volta de 216 d.C. na Babilônia. Foi considerado por alguns como o último dos gnósticos. Diferente dos demais hereges, desenvolveu-se fora do cristianismo. Todavia, era um rival do evangelho.

Seus ensinos buscavam respaldo no cristianismo. Afirmava, por exemplo, ser o Paracleto, o profeta final. Em seus ensinos enfatizava a purificação pelos rituais. Em 243 d.C., o profeta Mani teve seus ensinamentos reconhecidos por Ardashir, rei sassânida (Índia). Então, a nova fé teve o seu "pentecostes", analogia traçada pelos maniqueístas.

Durante 34 anos, Mani e seus discípulos intensificaram seu trabalho missidevo aponário pelo leste da Ásia, Sul e Oeste da África do Norte e Europa.

A base do maniqueísmo engloba um Deus teísta que se revela ao homem. Deus usou diversos servos, como Buda, Zoroastro, Jesus e, finalmente, Mani. Deveriam seus discípulos praticar o ascetismo e evitar a participação em alguma morte, mesmo de animais ou plantas. Deveriam evitar o casamento, antes, abraçarem o celibato. O universo é dualista, existem duas linhas morais em existência, distintas, eternas e invictas: a luz e as trevas.

A remissão ocorre pela gnosis, conhecimento especial que os iniciados conquistavam. Entre os remidos há duas classes, os eleitos e os ouvintes. Os eleitos não podiam nem mesmo matar uma planta, por isso eram servidos pelos ouvintes, que podiam matar plantas, mas nunca animais ou até mesmo comê-los. Os eleitos subiriam, após a morte, para a glória, enquanto os ouvintes passariam por um longo processo de purificação. Quanto aos ímpios, continuariam reencarnando na terra. Recebeu grande influência de Márcion.

Ário (256-336)

Presbítero de Alexandria entre o fim do terceiro século e o início do quarto depois de Cristo. Foi excluído em 313, quando diácono, por apoiar, com suas atitudes, o cisma da Igreja no Egito. Após a morte do patriarca da Igreja em Alexandria, foi recebido novamente como diácono. Depois, nomeado presbítero, quando então começou a ensinar que Jesus Cristo era um ser criado, sem nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus, por exemplo, eternidade, onisciência, onipotência etc, pelo que foi censurado, em 318, e excluído, em 321. Mas, infelizmente, sua influência já havia sido propagada e diversos bispos da Igreja no Oriente aceitaram o novo ensino.

Em 325, ocorreu o concílio de Nicéia e Ário, apesar de excluído, pôde recorrer de sua exclusão, sendo banido. Ário preparou uma resposta ao Credo Niceno, o que impressionou muito o imperador Constantino. Atanásio resistiu à ordem de Constantino de receber Ário em comunhão. Então Ário foi deposto e exilado em Gália, falecendo no dia em que entraria em comunhão em Constantinopla.

A base de seu ensino era estabelecer a razão natural como meios de entender a relação Deus e Cristo. Haveria uma só Pessoa na divindade. O logos não foi apenas gerado, mas literalmente criado. Seria tão-somente um intermediário entre Deus e os homens e, devido à sua elevada posição, receberia adoração e glória.

Apolinário (aprox. 310-390)

Foi bispo de Laodicéia da Síria no final do quarto século. Cooperou na reprodução das Escrituras. Fez oposição à afirmação de Ário quanto à criação e à mutabilidade de Cristo.

Por outro lado, se opôs ao conceito da completa união entre as naturezas divina e humana em Jesus. Afirmava que Jesus não tinha um espírito humano. Segundo ele, o espírito de Cristo manipulava o corpo humano. Sua posição inicial era contra o arianismo, que negava a divindade de Cristo. Em sua opinião, seria mais fácil manter a unidade da Pessoa de Cristo, contanto que o logos fosse conceituado apenas como substituto do mais elevado princípio racional do homem. Contrapondo-se a Ário, ele advogava a autêntica divindade de Cristo, e tentava proteger sua impecabilidade substituindo o pneuma (espírito) humano pelo logos, pois julgava aquele sede do pecado.

Conseqüentemente, Apolinário negava a própria e autêntica humanidade de Jesus Cristo.

Em 381, o sínodo de Constantinopla declarou contundentemente, entre outros sínodos, herética a cristologia de Apolinário.

Apolinário formou um grupo de discípulos que manteve seus ensinos. Mas não demorou muito e o movimento se desfez.

Nestório (aprox. 375-451)

Patriarca da Igreja em Constantinopla na metade do quinto século depois de Cristo. Seu objetivo de expurgar as heresias na região de seu controle encontrou problemas quando expressou sua cristologia. Encontrava-se em seu tempo idéias divergentes sobre a natureza de Cristo. Alguns, aparentemente, negavam a existência de duas naturezas em Cristo, postulando uma única natureza. Outros, como Teodoro de Mopsuéstia, afirmavam que o entendimento deveria partir da completa humanidade de Cristo. Teodoro negava a residência essencial do logos em Cristo, concedendo somente a residência moral. Essa posição realmente substituía a encarnação pela residência moral do logos no homem Jesus. Contudo, Teodoro declinava das implicações de seu ensino que, inevitavelmente, levaria à dupla personalidade em Cristo, duas pessoas entre as quais haveria uma união moral. Nestório foi fortemente influenciado pelo seu mestre, Teodoro de Mopsuéstia.

O nestorianismo é deficiente, não em relação à doutrina das duas naturezas de Cristo, mas, sim, quanto à Pessoa de cada uma delas. Concorda com a autêntica e própria deidade e a autêntica e própria humanidade, mas não são elas concebidas de forma a comporem uma verdadeira unidade, nem a constituírem uma única pessoa. As duas naturezas seriam igualmente duas pessoas. Ao invés de mesclar as duas naturezas em uma única autoconsciência, o nestorianismo as situava lado a lado, sem outra ligação além de mera união moral e simpática entre elas. Jesus seria um hospedeiro de Cristo.

Nestor foi vigorosamente atacado por Cirilo, patriarca de Alexandria, e condenado pelo Terceiro Concílio de Éfeso, em 431.

O movimento nestoriano sobreviveu até o século quatorze. Adotaram o nome de cristãos caldeus. A Igreja persa aceitou claramente a cristologia nestoriana. Atingiu expressão culminante no décimo terceiro século, quando dispunha de vinte e cinco arcebispos e cerca de duzentos bispos. Nos séculos doze e treze, formou-se a Igreja Nestoriana Unida e, atualmente, seus membros são conhecidos como Caldeus Uniatos. Na Índia, são conhecidos como cristãos de São Tomé. Hoje, esse movimento está em declínio.

Pelágio (aprox. 360-420)

Teólogo britânico, teve uma vida piedosa e exemplar. Baseado exatamente nessa questão, desenvolveu conceitos sobre a hamartiologia (doutrina que estuda o pecado). Sofreu resistência e, finalmente, foi excluído por diversos sínodos (Mileve e Catargo), sendo, ainda, condenado no Concílio de Éfeso, em 431 d.C.

Seus ensinos afirmavam que o homem poderia viver isento do pecado. Que o homem fora criado a imagem de Deus e, apesar da queda, essa imagem é real e viva. Do contrário, o homem não seria aquele homem criado por Deus. No pelagianismo a morte é uma companheira do homem, querendo dizer que, pecando ou não, Adão finalmente morreria, ainda que não pecasse. O ideal do homem é viver obedecendo.

O pecado original é uma impossibilidade, pois o pecado depende de uma ação voluntária do pecador. Afirma ainda que, por uma vida digna, os homens podem atingir o céu, mesmo desconhecendo o evangelho. Todos serão julgados segundo o que conheciam e o que praticavam. O livre-arbítrio era enfatizado em todas as suas afirmações, excluindo a eleição. Um século depois, desenvolveu-se o semipelagianismo, que amortecia alguns ensinos extravagantes de Pelágio.

Eutíquio (aprox. 410-470)

Viveu em um mosteiro fora de Constantinopla durante a primeira metade do quinto século. Discípulo de Cirilo de Alexandria, teve grande influência e chefiava mosteiros na Igreja oriental. Oponente do nestorianismo, afirmava que, por ocasião da encarnação, a natureza humana de Cristo foi totalmente absorvida pela natureza divina.

Era de opinião de que os atributos humanos em Cristo haviam sido assimilados pelo divino, pelo que seu corpo não seria consubstancial como o nosso, que Cristo não seria humano no sentido restrito da palavra.

Esse extremo doutrinário contou com o apoio temporário do chamado Sínodo dos Ladrões (em 449 d.C.). Essa decisão foi anulada mais tarde pelo Concílio de Calcedônia, em 451 depois de Cristo.

O Sínodo dos Ladrões recebeu esse nome porque seus participantes roubavam características da doutrina cristocêntrica. Por esse motivo, Eutíquio foi afastado de suas atividades eclesiásticas. Mas a Igreja egípcia continuou apoiando a doutrina de Eutíquio e manteve seus ensinos por algum tempo. Então, o eutiquianismo surge novamente no movimento monofisista.

Lições da Idade Média para a Igreja atual

A Igreja Medieval em grave necessidade de reforma

Por Solano Portela

Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil em Santo Amaro (São Paulo, SP) e mestre pelo Biblical Theological Seminary (EUA)

Encontramos a Igreja Católica, no ápice da Idade Média (entre os séculos 13 e 15), com a maioria de suas práticas litúrgicas (incorporadas do paganismo) já institucionalizada em sua estrutura eclesiástica. O cenário, em verdade, está sendo preparado pelo Senhor da história para a reforma do século 15. A religião foi transformada de uma devoção consciente a Deus, baseada no que conhecemos de Deus pelas Escrituras e exercitada pelas diretrizes da sua Palavra, a um misticismo subjetivo, baseado nas tradições humanas, exercitado em práticas obscuras.

A Igreja, que deveria aproximar as pessoas cada vez mais de Deus e de sua Palavra, na prática, afasta os fiéis da religião verdadeira. Os rituais e a liturgia são realizados em uma língua desconhecida (o latim). Os seguidores são sujeitos a uma hierarquia estranha à Bíblia, na qual os administradores maiores se preocupavam mais com o jogo político do que com a situação espiritual dos fiéis. Aqueles que se dedicavam mais ao estudo da Palavra, em vez de estarem próximos dos fiéis, conscientes de suas lutas, necessidades e pecados, isolavam-se em mosteiros. Novas estruturas monásticas são formadas e sua influência se multiplica. Os poucos escritos refletem um misticismo que enaltece a Trindade, mas, ao mesmo tempo, apresentam uma ênfase mística que os distanciam da realidade.

Outras cabeças pensantes da Igreja, em vez de procurarem um retorno à teologia das Escrituras, embarcam num intelectualismo que pretende explicar, de forma palatável à razão humana, os mistérios de Deus - esses também distanciam a Igreja e sua hierarquia de sua missão e daqueles que a seguem em busca espiritual sincera ou por conveniência. Certamente, fica cada vez mais evidente que o caminho da reforma está sendo preparado por Deus. A Igreja está deteriorada em seu íntimo - os problemas aparecem. O remanescente fiel ficará mais evidente e desabrochará no tempo apontado por Deus.

Estudando a situação da Igreja nesse período, identificamos três erros dignos de destaque e que servem de alerta para os nossos dias. Vejamos:

1) O perigo do deslumbramento com o mundo

A Igreja já vinha sendo caracterizada pela sede de poder e por seu envolvimento com o mundo político. Na era medieval, os exemplos de envolvimento intenso com o poder político se multiplicaram.

No ápice do poder da Igreja medieval, o papa que deteve maior poder foi Inocêncio III (1198-1216): controlava tanto a Igreja Católica como o império. Humilhou o rei Filipe Augusto, da França, interditando todo o país, forçando-o a receber de volta sua esposa divorciada. Depois, humilhou o rei João, da Inglaterra, numa disputa sobre a indicação do arcebispo de Canterbury. Mais uma vez, interditou um país e convidou o rei Filipe, da França, a invadir a Inglaterra se o rei João se recusasse a aceitar os seus termos. Mais ou menos na mesma época, interferiu na Germânia (atual Alemanha), definindo a sucessão imperial naquele país, utilizando as tropas francesas como forma de pressão.

Em 1215, Inocêncio III convocou o Quarto Concílio Laterano (não confundir com Luterano), no qual algumas doutrinas estranhas à Palavra de Deus foram formalizadas, como, por exemplo, a obrigação de uma confissão auricular anual, a doutrina da transubstanciação (que afirma que o pão e o vinho da comunhão não somente simbolizam, mas, também, milagrosamente, transformam-se no corpo e no sangue de Cristo) e a terminologia do sacrifício da missa (uma vez que o corpo de Cristo era repetidamente sacrificado a cada liturgia).

Esse é apenas um exemplo de como a liderança maior da Igreja demonstrou mais interesse pelo poder e pelo envolvimento político do que pela saúde espiritual dos fiéis. Pior ainda. Quando esses líderes se voltavam a questões religiosas, seu único objetivo era promover a incorporação de práticas estranhas na liturgia da Igreja - feriam ainda mais a ortodoxia já combalida. A Igreja ia se desenvolvendo com uma língua estranha, distanciada do povo, e com práticas cada vez mais pagãs em sua liturgia.

A lição para a Igreja atual

A aceitação social e a proximidade do poder têm sido constantes inimigos da pureza doutrinária que deve marcar a Igreja verdadeira. Essa é uma característica não só da Igreja medieval, mas, também, dos nossos dias. A ânsia por aceitação vem, muitas vezes, à custa de princípios e da nossa identidade.

Como cristãos, perdemos, com frequência, grandes oportunidades de marcar presença, pelo nosso testemunho, como sal da terra (Mt 5.13), mas capitulamos perante as pressões do poder. Muitos dos nossos políticos, chamados "evangélicos", têm tido um comportamento reprovável e posturas éticas que envergonham e trazem condenação até dos descrentes. Em um mundo cheio de maldade, a Palavra de Deus nos aponta à manutenção dos padrões de justiça de Deu: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12.21).

Em adição, devemos estar alerta para não trazermos práticas estranhas à Palavra de Deus à nossa liturgia. Por isso, o apóstolo Paulo nos adverte, em 2Coríntios 11.3: "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo".

2) O perigo do isolamento

Apesar de os mosteiros e conventos terem surgidos entre os séculos terceiro e sexto da Era Cristã, foi na Idade Média que atingiram o seu auge, com o desenvolvimento de várias ordens monásticas. A ordem dos agostinianos foi fundada entre 1233 e 1244. Os beneditinos, trazendo uma tradição do terceiro século, foram reformados com o trabalho de Bernardo de Clairvaux (1090-1153). Os dominicanos foram formalmente estabelecidos por uma bula papal de 1216 e se organizaram definitivamente em torno de 1221. Os carmelitas, constituídos de peregrinos à terra santa, juntaram-se no monte Carmelo (daí o nome), para viver "a vida do profeta Elias", em 1191, aproximadamente. Os franciscanos se organizaram pelo trabalho de Francisco de Assis, em 1223, desenvolvendo-se em vários ramos independentes, como o dos capuchinhos, por exemplo. E assim foi, nesse período, com várias outras ordens de menor importância. Praticamente, a única ordem monástica que não surgiu nesse período foi a dos jesuítas, formada em 1540 - na onda da Contra-Reforma.

Mas, qual seria o problema com o monasticismo?

Poderíamos dizer que os mais devotos e estudiosos da Palavra, possivelmente desencantados com o estado da Igreja e seu envolvimento com os regentes temporais e com a política, procuraram isolamento. Essa medida, aparentemente correta, fez que esse tipo de liderança deixasse de interagir com os fiéis. Além de privar os seguidores de um direcionamento maior, o isolamento fez que perdessem o contato com a realidade e com os problemas do dia a dia.

A vida no mosteiro não somente era artificial, mas, também, representava um tipo de cristianismo estranho às Escrituras. O asceticismo, ou seja, a rejeição de tudo que é material, é uma identificação errada do que é o verdadeiro mal (Cl 2.21). O pecado jaz no íntimo das pessoas (Sl 51.5) e não é a intensa meditação ou o isolamento que irá purificar o nosso ser. Tampouco, será a vida espartana, as penitências ou os sacrifícios inúteis, os quais podem ter até "aparência de piedade" (2Tm 3.5), mas não podem expiar o nosso pecado. O lado irônico do isolamento e do monasticismo é que, dando a aparência de uma aproximação de Cristo, contribuiu para o estabelecimento de uma religião humana, de salvação pelas obras, pela privação, pelo sofrimento - uma religião que se fechou, tornando-se um fim em si mesma.

A lição para a igreja atual

Essa tendência de isolamento está sempre presente no campo cristão. É saudável estarmos sempre juntos, em ambiente de igreja, mas, às vezes, levamos isso ao extremo. Desaprendemos a nos comunicar com o mundo. Esquecemos nossa missão. Passamos a falar com "jargões evangélicos" - palavras que soam estranhas ou desconhecidas àqueles a quem deveríamos estar comunicando as boas novas da salvação. Nossa preocupação é muito maior com encontros, acampamentos, do que na organização de uma ação eficaz de evangelização. Jesus disse que não pedia ao Pai que fôssemos tirados deste mundo (Jo 17.15). Aqui fomos colocados para interagir saudavelmente com a sociedade, transformando-a, reformando-a, purificando-a, sendo verdadeiramente "luz do mundo" (Mt 5.14). Aprendamos com essa era obscura da Igreja, na qual o isolamento dos que eram mais fiéis terminou por descaracterizar de vez a sua doutrina e mensagem.

3) O perigo dos extremos

Foi na Idade Média, em paralelo ao isolamento do monasticismo, que vários intelectuais, no seio da Igreja, deslancham aquilo que ficou conhecido como "escolasticismo". Embora o termo seja difícil de definir, podemos considerá-lo como uma referência ao período, na Idade Média, em que surgiram inúmeros escritos que apelavam consideravelmente para a razão humana, cujo objetivo era estabelecer e provar as bases da religião.

Representavam uma tentativa de harmonizar filosofia com teologia, procurando demonstrações racionais de verdades teológicas. Nomes como Anselmo (1033-1109) e Abelardo (1079-1142) são considerados como cofundadores do movimento. Pedro Lombardo (+/- 1164) foi também um representante importante e Tomás de Aquino (1227-1274), o seu expoente máximo - com o seu tratado Summa Theologica. João Duns Scotus (1226-1308) e Guilherme de Ockam (1280-1349) são também escritores importantes desse período.

Contemporâneos de uma Igreja cambaleante em sua ortodoxia e prática - deslumbrada com o poder e o mundanismo, os escolásticos procuravam restaurar o cerne doutrinário da instituição. Erraram em depender ao extremo do racionalismo; em desconhecer a profundidade e a gravidade do pecado que afeta a capacidade de raciocinar corretamente sobre as coisas espirituais (Rm 1.22). Na realidade, deixaram de lado o ensinamento bíblico da depravação total das pessoas. Achavam que a fé era racionalmente explicável, esquecendo-se de que aprouve a Deus salvar a humanidade pela "loucura" da pregação (1Co 1.21). Apesar de os escolásticos, às vezes, confrontarem o poder temporal dos papas, serviram também para sistematizar muitas doutrinas estranhas às Escrituras, como relíquias, culto às imagens, purgatório, o sistema hierárquico e a estrutura sacramental de salvação pelas obras. Inúmeras páginas foram escritas com justificativas racionais para a utilização dessas práticas. Os reformadores do século 16 encontraram, em função dos escolásticos, ampla documentação dos desvios doutrinários que eficazmente combateram.

Em oposição radical ao escolasticismo, temos, na Idade Média, o misticismo, que é um termo vago que cobre amplos pontos de vista e abordagens sobre a prática religiosa. Em muitas situações, o misticismo não pode ser dissociado com muita clareza da prática correta da religião. Por outro lado, várias manifestações do misticismo são radicais, extremas e bastante distanciadas da ortodoxia verdadeira.

Uma definição genérica de misticismo seria: "Qualquer postura, coisa ou situação que nos leva ao contato com a realidade existente além dos cinco sentidos". De uma forma ou de outra, o misticismo sempre esteve presente na Igreja. Na Igreja primitiva, manifestou-se com intensidade nos montanistas. Nos nossos dias, encontra grande expressão em muitas igrejas evangélicas, independentemente das barreiras denominacionais.

Na Idade Média, situado no outro extremo do escolasticismo, no meio dessa Igreja conturbada, temos o desenvolvimento do misticismo no isolamento monástico. Como se procurassem um afastamento da abordagem racionalista, muitos passaram a escrever obras puramente devocionais. Refletindo um desejo de se elevar acima das agruras deste mundo, almejavam uma aproximação imediata com a pessoa de Deus. Objetivavam atingir a certeza da salvação e chegar à verdade não pela dedução lógica, mas pela experiência. Muitos podem ter sido crentes sinceros, enfatizando o amor e a aproximação com Deus.

Os místicos nunca foram considerados hereges e a Igreja Medieval, na realidade, os encorajou, como um contraponto ao escolasticismo. Em função do seu caráter subjetivo, o misticismo enfatizou, consideravelmente, além de uma postura pessoal de devoção, a questão dos sonhos, das visões e de outras formas de revelação que seriam utilizadas por Deus em paralelo às Escrituras. Estiveram também presentes, posteriormente, no decorrer da Reforma, quando Lutero confrontou uma comunidade que ficou conhecida como "Os profetas de Zwickau", indicando que o Espírito Santo falava pela objetividade das Escrituras.

Um dos grandes exemplos desse período, um místico lido e prezado tanto por católicos como por protestantes, foi Tomás Kempis (1380-1471), nascido na Alemanha e criado na Holanda, que ocupou toda a sua vida em três atividades: copiar a Bíblia (lembrem-se de que, naquela época, não havia imprensa), meditação devocional e escrever vários livros. Ficou, entretanto, conhecido por apenas um desses, intitulado A imitação de Cristo. Escrito originalmente em latim, em quatro volumes, foi traduzido, depois, para várias línguas. Existem mais de 2 mil edições conhecidas deste livro que até o teólogo Charles Hodge classificou como "a pérola do misticismo germânico-holandês". Outro teólogo protestante escreveu: "O que torna este livro aceitável a todos os cristãos é a ênfase suprema colocada sobre Cristo e a possibilidade de comunhão imediata com Ele e com Deus".

Entretanto, ao lado dos elogios por seu caráter devocional e pela exaltação que faz da pessoa de Cristo, é possível perceber que foi escrito por um católico romano. No livro, encontramos referências à adoração e ao conceito católico romano dos santos. À guisa de exemplo, no Livro 1, capítulo 18, lemos sobre "os santos que possuíam a luz da perfeição e da religião verdadeira". No capítulo 19, lemos que, em certas ocasiões, "a intercessão dos santos deve ser fervorosamente implorada". Existe, também, a aceitação da doutrina do purgatório. No Livro 1, capítulo 21, lemos que deveríamos viver uma vida de trabalho e sofrimento "se considerássemos em nossos corações as dores futuras do inferno ou do purgatório".

Na melhor das hipóteses, o livro é contraditório. Em um trecho a obra, indica o mérito das obras. Em seu Livro 2, capítulo 12, afirma: "Nosso mérito e progresso consistem não nos muitos prazeres, mas no suportar de muitas aflições e sofrimentos". Em outro trecho, fala da inutilidade das obras. No Livro 3, capítulo 4, declara: "Considere seus pecados com desprazer e tristeza, e nunca pense de você mesmo como sendo alguém, por causa de suas boas obras". Em adição aos aspectos romanos, a ênfase do livro é colocada em uma vida de isolamento como sendo o ideal do cristão, em vez do envolvimento sadio com a criação em uma vida de testemunho e proclamação das verdades divinas.

A lição para a igreja atual

A religião verdadeira alimenta o ser humano em sua totalidade. Quando a prática do cristianismo não está corrompida, há satisfação tanto para o corpo como para a alma. A ideia de que existe mérito no sofrimento ou no isolamento não é bíblica, mas provém de um conceito de que, de uma forma ou de outra, operamos a nossa própria salvação. O misticismo existe desenfreado em nossos dias, não como uma característica saudável da Igreja, mas, sim, como um problema em seu seio. De certa forma, o misticismo ocorre como uma reação à ortodoxia morta, ou a um intelectualismo estéril, como aconteceu na Idade Média. Entretanto, no cômputo final, apesar de parecer uma ênfase sobre ações e posturas piedosas, ou sobre uma vida de devoção intensa e real, o misticismo desvia os nossos olhos de Cristo; concentra a atenção nos nossos méritos, nas coisas que fazemos ou que deixamos de fazer; nos objetos aos quais atribuímos valor espiritual; ou nas formas de comunicação com Deus estranhas à Palavra e à suficiência das Escrituras.

Considerações finais

Podemos aprender muito com a situação da Igreja na Idade Média. Ela foi progressivamente se afastando de Cristo, não somente pelo mundanismo crescente e pela incorporação de práticas pagãs, mas, também, por meio de um isolamento intenso e igualmente contraditório à sua missão.

Como anda a nossa igreja?

Como caminha a nossa religiosidade?

Como se encontra a nossa vida devocional?

Estamos nos achegando a Deus, em devoção sincera, por meio de Cristo e pelo poder do Espírito Santo - desejosos de fortalecer o nosso testemunho em um mundo hostil? Ou estamos fabricando um tipo peculiar de religião que atende os nossos anseios místicos ou a nossa sede intelectual, mas que nos afasta cada vez mais dos caminhos que deveríamos percorrer?

Meditemos no que Deus quer de nós, como expressa Miqueias 6.6-8, verificando que a prática da justiça e o amor à benevolência não são compatíveis com uma vida estéril ou distanciada do mundo em que Deus nos colocou.

"A aceitação social e a proximidade do poder têm sido constantes inimigos da pureza doutrinária que deve marcar a Igreja verdadeira"

"Estamos no mundo para interagir saudavelmente com a sociedade, transformando-a, reformando-a, purificando-a, sendo verdadeiramente 'luz do mundo'"

"A ideia de que existe mérito no sofrimento ou no isolamento não é bíblica, antes, provém do conceito de que podemos operar a nossa própria salvação"

EM BREVE A SEGUNDA PARTE.

Deus vos abençoe e Crescer na Graça e no Conhecimento.


Resumo da Lição 18 de Novembro de 2018

Perdoamos Porque Fomos Perdoados

Paz e Graça (Ir. Narciso) 

INTRODUÇÃO"Essa parábola é uma daquelas que trata do relacionamento entre os discípulos de Cristo, ou seja, como estes devem se comportar no âmbito do Reino. Apesar de nossas Bíblias a intitularem de a "parábola do credor incompassivo", o que ela ensina, de fato, é a forma de lidar com a ofensa e com o perdão. Ela mostra a graça e, ao mesmo tempo, a responsabilidade. Se, por um lado, Deus nos perdoa por intermédio de sua infinita graça, por outro, temos a responsabilidade de perdoar aqueles que nos ofendem. Há quem julgue ser esta uma das parábolas menos complexas entre as que foram pronunciadas por Cristo. Ela acaba sendo contada por Jesus por causa de uma pergunta de Pedro a respeito de quantas vezes devemos perdoar nosso irmão, e termina dizendo como nosso Pai celestial fará conosco, ou seja, uma vez que fomos perdoados, devemos da mesma forma perdoar todos aqueles que nos ofendem."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).A Parábola do Credor Incompassivo, também conhecida como Servo Ingrato, Servo Impiedoso, Servo Incompassivo ou Servo Mau, é uma Parábola que tem como foco o perdão, um dos temas principais do Reino dos Céus. O tema principal dessa maravilhosa história não é o perdão de Deus concedido ao homem (embora isso esteja presente), mas o do homem em direção a outro homem. Esta parábola foi contada pelo Salvador em resposta à uma pergunta de Pedro, sobre quantas vezes se deve perdoar a um irmão. O Apóstolo Pedro pensava que seria suficiente perdoar por até sete vezes. Em resposta, Pedro ouviu que deve-se perdoar sempre, infinitamente. Entendemos pela parábola que as nossas ofensas aos próximos, se comparadas à nossa dívida perante Deus, são tão insignificantes quanto algumas moedas comparadas a um capital milionário. Devemos ressaltar que o sentimento de estar ofendido é muito individual. Esta parábola, que ocorre apenas em Mateus, é uma narrativa muito simples sobre a necessidade de liberarmos perdão para aquele que nos ofendeu ou machucou. A razão é simples: fomos alcançados pelo gracioso perdão de Deus. Note que Mateus utiliza a designação Reino dos Céus- este é o jeito de Mateus falar Reino de Deus sem usar o nome de Deus, pois ofenderia a sensibilidade de seu auditório judeu (Mt 19.23-24). Este designativo se refere à igreja (Mt 16.18-19). Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?I - INTERPRETANDO A PARÁBOLA DO CREDOR INCOMPREENSIVO
"1. A nova vida no Reino de Deus. O capítulo 18 de Mateus traz os ensinos de Jesus sobre a conduta dos seus discípulos como membros da nova comunidade trazida à existência por intermédio do recebimento de sua mensagem, os discípulos do Reino de Deus. O Reino possui valores essencialmente diferentes daqueles que caracterizam as instituições terrenas e as organizações desse mundo. Lembre-se de que nesse reino os humildes são os verdadeiramente grandes (Mt 18.1-4). No Reino de Deus, o "inferior" e mais "apagado" súdito leal ao seu Rei possui valor imensurável. A suprema ofensa na comunidade do Reino é quando os mais fortes e dominadores tornam a caminhada de fé dos irmãos mais fracos e mais sensíveis, difícil (Mt 18.6,7). De igual modo, mostrar desprezo pelos irmãos em Cristo é algo inaceitável (18.10). Com o objetivo de solidificar ainda mais o ensino desse Reino, Jesus fala sobre o perdão, e Pedro, admirado, faz a pergunta e o Senhor então conta a parábola (vv.15-35). Ao longo da história da igreja, os intérpretes não alegorizaram tanto esta parábola quanto o fizeram com as outras. A mensagem que a parábola quer transmitir é unicamente o perdão de Deus e a obrigatoriedade que os homens têm em perdoar em função de Deus já tê-los perdoado. Para finalizar, ela adverte a respeito do juízo divino sobre aqueles que se negam a fazê-lo."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).Já gozamos um quinhão do Reino de Deus desde o momento que ingressamos no Corpo de Cristo mediante o arrependimento e fé (Mc 1.15) e pelo novo nascimento (Jo 3.3,5). O Reino de Deus não é físico nem geográfico nem político. Jesus disse para Pilatos: "O meu Reino não é deste mundo", mas está dentro de nós (Lc 17.21) e fala de uma qualidade de vida (Rm 14.17) regida por justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Os súditos desse Reino são pessoas diferentes (Mt 5.1-12) - Pobres, quebrantados, mansos, famintos de justiça, puros de coração, pacificadores, misericordiosos. Sua justiça excede à dos escribas e fariseus (Mt 5.20). A ponta da pirâmide neste Reino está invertida, o maior é o menor; o primeiro é servo de todos. Neste reino, a máxima é o perdão, e Pedro sabe que deve perdoar e que certamente precisará perdoar mais de uma vez, mas até quantas vezes? Qual o limite? Então arrisca um número: "Até sete?" Não existe contas nesse quesito, o dever é infinito, sendo esta a melhor resposta à misericórdia que nos foi derramada. Perdão é algo que nos liberta, sara e nos permite andar na presença de Deus. Onde não há perdão, não há cura, nem vida, nem alegria; tampouco existe saúde emocional ou espiritual. Perdão é um tema importantíssimo pelo seu poder terapêutico e libertador. Quando perdoamos, libertamos alguém e esse alguém, descobrimos, somos nós mesmos. Não perdoar por sua vez, é seguir acorrentado à outra pessoa, na expectativa do que de pior possa acontecer com ela. Não vale a pena.
*******************************************************************"2. Perdão ilimitado. Pedro parece ter se incomodado a respeito do que Jesus havia ensinado acerca do perdão no âmbito do Reino (18.15-20). A pergunta do apóstolo parece simples, mas traz um pano de fundo judaico. Pedro quer saber quantas vezes deve perdoar o irmão ofensor. Talvez tenha se sentido generoso ao sugerir: "Até sete?" (v.2l). Na tradição rabínica, não se exigia que alguém perdoasse mais do que três vezes. A resposta do Mestre certamente perturbou a Pedro. Porém, é preciso lembrar-se de que Jesus está se valendo de uma hipérbole, ou seja, não devemos entender tal "número" num sentido matemático preciso. Jesus ensina a perdoar quantas vezes forem necessárias, mas isso também deve ser feito de coração, isto é, devemos perdoar com liberalidade e sinceridade."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18)."Os mestres judaicos (os rabinos) ensinavam a perdoar até três vezes. Eles usavam a história de Israel, lembrando que Deus perdoara as nações inimigas apenas três vezes (veja isso em Amós 1.3, 6, 9, 11 e 13). Ora, se o próprio Deus perdoara apenas três vezes, diziam os mestres, por que ser mais justo que ele e perdoar mais vezes que ele? Perdoar três vezes estava de bom tamanho. Pedro resolveu "arrasar": dobrou o número que os mestres rabinos recomendavam e deu mais um de quebra: "até sete?". Além disso, sete é um número simbólico, na cultura do Oriente antigo, pois era o número de dias na semana. Era o número que contava o tempo. Seu valor era mais que matemático, era simbólico. Na mística judaica dava a idéia de algo completo, bem extenso. Pedro não apenas excedeu o ensino dos mestres como mostrou que estava cheio de disposição para perdoar. Mas Jesus sempre foi desconcertante. Deu uma resposta a Pedro que, por certo, ele não esperava. Talvez Pedro pensasse que Jesus lhe diria: "Puxa, Pedro, você está crescendo espiritualmente, rapaz! Estou orgulhoso de você!", mas não foi esta a palavra que Jesus deu. "Setenta vezes sete" ou, como pode ser, em uma variante de tradução, "setenta e sete vezes". A primeira possibilidade é a mais aceita. Bem, setenta vezes sete dá quatrocentos e noventa. É este o número de vezes que temos que perdoar? A expressão de Jesus é mais que matemática. É teológica: Na cultura lingüística da época sugere um número infinito de vezes. Nos escritos apócrifos, como no livro de Eclesiástico (não confunda com o livro de Eclesiastes, que está em nossa Bíblia), tinha este sentido, de um número ilimitado de vezes. Não há limites para o perdão que devemos exercer. Porque nosso padrão não é o trato de Deus com as nações no Antigo Testamento, mas é o ensino de Jesus, no Novo Testamento. Nós somos cristãos, e não judeus. Consideremos que não há limites para o perdão que Deus manifestou em Jesus. Quem foi perdoado deve perdoar. Tanto é assim que logo a seguir ele conta a parábola do credor sem compaixão (18.23-35). Quem provou o amor e perdão de Deus deve amar e perdoar os irmãos. João disse isso de maneira bem clara: "Queridas amigas e amigos, se foi assim que Deus nos amou, então nós devemos nos amar uns aos outros" (1Jo 4.11)" (ISALTINO).*******************************************************************
"3. Uma dívida impagável. Os servos de um rei eram oficiais de alta posição a serviço do imperador. Alguns deles, muitas vezes, em determinadas ocasiões emprestavam grandes somas de dinheiro do tesouro imperial. Nesta parábola, a quantia mencionada por Jesus é, mais uma vez, deliberadamente dada com exagero. É uma hipérbole que visa tornar mais nítido o contraste com a segunda dívida - "cem dinheiros". É difícil achar um equivalente no sistema monetário moderno, mas o Comentário Bíblico Beacon compara um talento com cerca de "mil dólares americanos", sendo que "dez mil talentos" (v.24), segundo o mesmo comentário, equivalem ao valor de "dez milhões de dólares". Trata-se de uma dívida impagável. 0 que Cristo quer ensinar é a completa falta de esperança de pagarmos o incomensurável débito que geramos por causa dos nossos pe cados, até que eles fossem perdoados gratuitamente por Deus, por intermédio da morte do Filho de Deus na cruz do Calvário (Cl 4.13,14)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).O termo grego nomisma, nomisma, "moeda" ou "regra", é derivado de nomo, nomos, "lei". É um nome genérico para o valor monetário básico indistinto. Jesus referia-se ao objeto em si, a moeda, sem aludir ao nome que lhe conferiria valor e distinção. Provavelmente era um denarion, o denário romano e/ou o grego talenton, equivalia a 6.000 dracmas/denários, seu peso em prata era de aproximadamente 21,6 Kg. O credor incompassivo de Mt 18.23-35, exige que um de seus conservos pague-lhe o que deve, isto é, cem denários, que equivalia a três meses e meio de trabalho. Não podendo, lançou-lhe na prisão. Sobressai-se aqui a sua falta de misericórdia em contraste com o perdão que lhe fora dado por parte do rei, pois devia-lhe a exorbitância de dez mil talentos (v. 24) ou 60 milhões de denários, algo simplesmente impossível de pagar, pois iria muitíssimo além do que o curto período da vida humana poderia ganhar, necessitando de um perdão incondicional e total do rei. Ele devia 60 milhões de denários, foi perdoado. Seu conservo lhe devia 100 denários e foi lançado na prisão por este ingrato servo sem a menor compaixão.
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"4. A recusa em perdoar. Ao voltar-se para o segundo quadro da parábola, Jesus diz que um homem, conservo com aquele cujo débito era impagável, devia "cem dinheiros" ao servo cuja dívida exorbitante junto ao rei fora perdoada (v.27). "Cem dinheiros" ou "cem denários" era uma moeda romana. Mais uma vez o Comentário Bíblico Beacon faz uma atualização dizendo que o valor equivalia a cerca de "vinte dólares americanos", ou seja, "uma soma insignificante comparada àquela que o oficial da corte devia ao rei". Contudo, aquele que teve sua dívida perdoada agora resolve ser absolutamente incompreensivo. Recusa-se a dar um prazo para que o homem pudesse quitar a dívida e ainda mandou que o seu servo fosse lançado na prisão (vv.28-30). Os demais servos, ao sentirem-se revoltados pela atitude injusta do credor incompreensivo, levaram o assunto até o conhecimento do rei (v.3l). O credor acaba então recebendo o castigo que merece (vv.32-34). Jesus termina com a advertência de que Deus fará o mesmo quando não perdoarmos cada um de nossos irmãos que nos ofendem (v.35)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).Todos os seres humanos que nascem debaixo do sol são devedores a Deus. Se ele nos chamar para acertar as contas, ninguém ficará de fora. Pior ainda é saber que não temos como pagar nossa dívida. Ela é grandiosa demais. Jesus fez uso de uma hipérbole ao falar sobre a dívida desse homem. Dez mil talentos era uma dívida assustadora. Se formos entregues a nós mesmos nossa sorte seria a perdição eterna. Não há nada que possamos fazer para mudar isso. Nenhum ser humano, nenhum de nós jamais podería saldar nossa dívida para com Deus porque não há justiça em nós. A nossa única garantia de ingresso no céu é a obra de Jesus Cristo. Somos seres falidos moral e espiritualmente. Ainda que consigamos evitar muitos pecados grosseiros, o fato é que um único que cometêssemos nos levaria para o Inferno.II - EM CRISTO, DEUS PAGOU AS NOSSAS DÍVIDAS
"1. Nossa dívida impagável. A Palavra de Deus deixa claro que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23) e, do mesmo modo, ela ensina que todos somos pecadores (Rm 3.23). É bom Lembrarmos que até mesmo nós, os que servimos a Cristo, outrora éramos mortos em delitos e pecados (Ef 2.1). É justamente por causa de nossos delitos e pecados que contraímos uma dívida impagável. Assim como aquele servo que devia dez mil talentos, nós não poderíamos pagar nossa dívida para com Deus. Essa dívida exigia um sacrifício de sangue, pois sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9.22). A única forma de pagarmos nossa dívida seria com o derramamento de sangue e, isso, exigiria a nossa própria vida. Portanto, nossa dívida para com Deus é impagável."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).Como já discorri no tópico I, o tema principal dessa maravilhosa história é o perdão, não o de Deus concedido ao homem, embora isso esteja presente, mas o do homem em direção a outro homem. Mas analisando o valor da nossa dívida para com Deus e a impossibilidade de pagarmos, resume-se que:- A penalidade infalível para o pecado é morte: espiritual, física e eterna (Gn 2.17; Rm 5.12-14; 6.23). Para um homem ser salvo, esta penalidade tem que ser removida;- Ela o foi por (e em) Cristo, que levou sobre Si nossa penalidade (sua morte foi vicária/substitutiva - Is 53.5-6; 1Pe 2.24; 2Co 5.21).- Agora, Deus dá a remissão àquele que crê e recebe Seu Filho (At 13.38-39; Rm 8.1,33-34; 2Co 5.21).Note, ainda, que somos considerados pecadores diante de Deus não por causa dos nossos delitos e pecados, estes são conseqüência do nosso estado - nascidos destituídos da glória de Deus (Rm 3.23). Note a progressão em Romanos 5.12: O pecado entrou no mundo através de Adão, morte segue o pecado, morte vem a todas as pessoas, todas as pessoas pecam porque herdaram pecado de Adão. Porque "...todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus", necessitamos de um sacrifício perfeito e sem pecado para purificar nosso pecado - isso é algo que somos incapazes de fazer sozinhos. Graças a Deus que Jesus Cristo é o Salvador do pecado! Nosso pecado foi crucificado na cruz de Jesus, e agora em Cristo (Cl 2.14) "temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça" (Ef 1.7). Deus, em Sua sabedoria infinita, providenciou o remédio para o pecado que herdamos, e esse remédio está disponível a todos: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1Jo 1.9).*******************************************************************
"2. Deus pagou as nossas dívidas. O próprio Deus, que poderia ser o nosso credor eterno, providenciou uma forma para que pudéssemos "pagar" a nossa dívida. Ele enviou seu Filho na plenitude dos tempos (Gl 4.4), para que todo aquele que confessar o Nome do unigênito Filho de Deus não pereça, não morra, ou seja, não tenha de receber a justa retribuição pela imensa dívida do pecado (Gl 4.5). Ao morrer em nosso lugar na cruz do calvário, Cristo verteu o sangue necessário para a remissão de nossos pecados. Ali na cruz "havendo riscado a cédula que era contra nós", Deus em Cristo pagou as nossas dívidas."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).A expressão "plenitude do tempo": indica a chegada do tempo escatológico ou messiânicoencerrando um longo período de séculos de espera da humanidade. (Mc 1.15; At 1.7; Rm 13.11; 1Co 10.11; 2Co 6.2; Ef 1.10; 1Pd 1.20). O termo "plenitude" no versículo mostra-nos o sentido de cumprimento. O significado teológico vem do contexto que envolve. Foi Jesus, o Verbo encarnado que pagou o nosso resgate para libertar-nos do pecado, da morte e do inferno. Nos livros Mosaicos, o Pentateuco, mais precisamente em Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, encontramos os requisitos exigidos por Deus para os sacrifícios. Naquela dispensação, os sacrifícios de animais para a expiação substitutiva eram apenas figura do Calvário, onde Cristo tomou o lugar da morte, uma vez que a morte é a penalidade pelo pecado (Rm 6.23). Na cruz Jesus bradou "tetelestai", uma expressão grega que pode ser traduzida como "está consumado", "totalmente pago" ou "dívida cancelada". Esta declaração não foi o gemido de um homem derrotado, mas o grito triunfante da vitória do Filho de Deus, nosso Salvador. No primeiro século, quando um criminoso era preso, seus delitos eram registrados em um papiro conhecido como "cédula de dívida" ou "escrito de dívida". Ao cumprir a pena e chegando a ocasião de sua liberdade, o juiz responsável pela soltura do condenado, riscava a cédula, especialmente na parte onde os crimes estavam apontados, e, no rodapé, escrevia TETELESTAI. Pronto! O indivíduo não devia mais nada à justiça. Estava livre da condenação e, agora, poderia desfrutar da paz e da liberdade. Leia mais sobre isso em NAPEC*******************************************************************
"3. Nada pode nos condenar. Porque Deus, em Cristo, pagou as nossas dívidas, estamos livres da condenação do pecado. É a Bíblia que nos assegura que "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito" (Rm 8.1). No versículo seguinte, Paulo explica que, em Cristo Jesus, o Espírito de vida, "me livrou da lei do pecado e da morte". Assim, porque a misericórdia é uma marca do ensino e do ministério do Senhor Jesus, podemos dizer que agora somos livres da condenação por tal grande misericórdia de Deus (Lm 3.22,23)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).O evangelho é uma lei ou sistema totalmente diferente do sistema legal que encontramos na lei de Moisés. Não depende da capacidade humana mas da capacidade divina. Não está baseada nas obras de justiça que o ser humano faz mas na obra da justificação que Jesus Cristo fez ao morrer por nossos pecados e ressuscitar ao terceiro dia, e agora recebemos a maravilhosa bênção: "nenhuma condenação há para nós, os que estamos em Cristo, porque Ele já sofreu em nosso lugar o castigo pela condenação dos nossos pecados. Se Deus, o Juiz Supremo, justificar-nos, então quem poderá agir contra nós e prosperar, ou ter sucesso em sua empreitada? (Rm 8.33). A partir do momento em que Cristo nos justificou e passou a interceder por nós, ninguém mais pode nos condenar. A morte do Senhor Jesus em nosso favor teria pouco proveito caso ela fosse considerada separadamente da Sua valorosa ressurreição. E o Deus vivo que garante, seguramente, o cumprimento do propósito eterno de Deus. Assim, Ele está sentando agora à destra de Deus, cheio de glória e soberania, e de onde Ele é eternamente exaltado. O Senhor Jesus intercede por nós, junto a Deus Pai, pela autoridade que é inata à Sua divindade. Por causa da Sua morte vitoriosa, da Sua ressurreição vitoriosa, da Sua ascensão vitoriosa aos céus e da Sua intercessão vitoriosa por nós, o Senhor Jesus selou o propósito eterno de Deus. Em todo universo não há nada que possa prover maior garantia que a obra perfeita de Cristo..
IIl - UMA VEZ PERDOADOS, AGORA PERDOAMOS
"1. Não endureça o coração.Se a misericórdia é uma marca do ministério de Cristo, deve ser também uma marca de seus seguidores. Por isso, no Sermão do Monte, a misericórdia é apontada como uma das características dos discípulos do Reino (Mt 5.7). Assim, não podemos endurecer o coração para com aqueles que nos devem, uma vez que Jesus jamais agiu dessa maneira. Antes, devemos tomar cuidado, pois a ênfase no juízo será proporcional à ênfase na misericórdia (Tg 2.13)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).Como vimos no tópico 2, Deus quitou nossa dívida impagável fazendo recair sobre Jesus o castigo que estava reservado para nós, agora, como exemplo dessa infinita misericórdia, nós que fomos perdoados, devemos também exercitar misericórdia, aliás, esta deve ser uma marca distintiva de quem nasceu de novo, devemos perdoar nossos irmãos quantas vezes forem necessárias, lembrando que, perdoar não esquecer, perdoar é lembrar sem sentir dor. Fomos libertos do pecado mas ainda pecamos e carecemos do perdão todos os dias. Portanto, não podemos exigir justiça do outro e requerer misericórdia de Deus. Não podemos deixar que as mágoas embruteçam nosso coração. Mas ainda que embrutecido, nosso coração deve perdoar, por responsabilidade. Afinal, como discípulos de Cristo devemos imitá-lo. Refletir em nossas práticas o infinito amor que Ele manifesta em nós sem medida.*******************************************************************
"2. Devemos agir com misericórdia. O Reino de Deus não pode estar presente na vida da Igreja quando o mal não é combatido (Ef 5.11). A parábola, precedida pela pergunta de Pedro, ressalta a importância do exercício do perdão. Se Deus nos perdoou quando ainda éramos pecadores (Rm 5.8), não temos motivo algum para deixar de perdoar aqueles que nos ofendem. A misericórdia deve ser uma constante em nossas vidas. Devemos agir com todos de forma misericordiosa, fazendo com que isso predomine em nosso caráter como novas criaturas (2 Co 5.17)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18)."No Cristianismo o ser vem antes do fazer. Quem é, faz. A fé sem obras é morta. Vivemos num tempo em que a misericórdia parece ter desaparecido da terra. Os judeus eram tão cruéis quanto os romanos. Eram orgulhosos, egocêntricos, hipócritas e acusadores. Hoje, pensamos que se formos misericordiosos as pessoas vão nos explorar ou vão pular no nosso pescoço. Nesta bem-aventurança Jesus falou que a misericórdia é tanto um dever como uma recompensa. Os misericordiosos alcançarão misericórdia".(Rev Hernandes Dias Lopes). O apóstolo Paulo diz: "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas". Todas as criaturas cumprem o papel para o qual foram criadas: as estrelas brilham, os pássaros cantam, as plantas produzem segundo a sua espécie. O propósito da vida é servir. Aquele que não cumpre a missão para a qual foi criado é inútil.
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"3. Devemos dar o presente que recebemos. Sabemos que todos osautênticos discípulos de Cristo receberam abundante perdão, graça e infinita misericórdia. E isso é um dom de Deus (Ef 2.4-8). É um presente do Pai para nós, que merecíamos a morte. Da mesma forma que recebemos tudo isso como presente de Deus, devemos presentearas pessoas com misericórdia e perdão (1 Jo 3.16)."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).A Bíblia diz: "Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz" (Hb 13.16). Quando abrimos a mão para ajudar o necessitado é como se você tivesse orando e adorando a Deus. O anjo do Senhor disse a Cornélio: "Cornélio... as tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus" (At 10.4). Sabemos que neste mundo exercemos a mordomia cristã e vamos um dia comparecer diante do juiz para prestar contas por todas as ações realizadas debaixo do sol (Lc 16.2). O apóstolo Paulo escreve aos romanos afirmando que o julgamento de Deus será justo e imparcial (Rm 2.9-11). Todos que pecaram perecerão ou serão julgados, indiferentemente de serem judeus ou gentios. Ao mesmo tempo, temos de ter a consciência de que, quanto maior o nosso conhecimento moral, maior será a responsabilidade diante do juízo."A intenção da parábola é mostrar que o ato inicial de misericórdia e perdão, exercido por Deus, deveria ser estendido as outras pessoas por nosso intermédio. Não haverá utilidade se tivermos o conhecimento teórico sobre o assunto estudado e não o aplicarmos no cotidiano. As lições não terão os objetivos cumpridos se não servirem de canal de reflexão à mudança de direcionamento de nossas vidas. O texto que narra a história do credor Incompassivo informa-nos que Deus perdoou-nos, e que esse perdão deve direcionar os nossos relacionamentos. A misericórdia do Senhor e o juízo de Deus, elementos intimamente ligados, são exaltados na história narrada por Jesus." (Fonte:https://pib7joinville.com.br/estudos/entendendo-e-vivendo/3470-o-credor-incompassivo.html. Acesso em: 12 Nov, 2018).CONCLUSÃO"A parábola que estudamos, nesta lição, evita qualquer abuso ou presunção da graça que recebemos de Deus. Alguns, às vezes, querem apresentar um tipo de "graça" que não precisa ser levada muito a sério. Contudo, a Bíblia ensina a respeito de uma graça que é transformadora. Se você foi transformado por essa graça, conseguirá perdoar assim como foi e é perdoado por Deus, em Cristo Jesus."(LB CPAD, 4º Trim 2018, Lição 7, 18 Nov 18).Encerraria esta lição com as seguintes afirmativas:- Devemos perdoar porque Deus nos perdoou (Amor: 1Jo 4.11, 19-21. Perdão: Ef 4.32, Cl 3.13);- Devemos perdoar para que Deus nos perdoe (Mt 5.7; 6.12, 14-15; 7.2; Mc 11.25; Lc 6.36-38. Tg 2.13);- O perdão que recebemos de Deus é descomunal. Nada poderia pagar nossa dívida para com Deus. O perdão que damos ao próximo é nada ou muito pouco, quando comparado com o que Deus fez (veja Jo 8.7). Nenhuma ofensa contra nós é imperdoável.- Se alguém não está pronto para perdoar, também não está pronto para receber o perdão.
"Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos". (Jeremias 15.16),

Cruzada Unificada Semeando pela Fé

https://www.youtube.com/watch?v=5JUJhqffUmA&feature=youtu.be


SANTO  TOMÁS  DE  AQUINO

Vamos aprender um pouco sobre Teologia Bíblica - Ir. Narciso

( É só fazer Downloads )


file:///C:/Users/pc.pc-PC/Downloads/04%20Summa%20teol%C3%B3gica%20de%20Tom%C3%A1s%20de%20Aquino%20(4).pdf


NOSSA AGENDA:    NOVEMBRO:

Sábado-10/11/18. Culto na casa de Recuperação 19HS. e logo o término do culto a vigília no monte.

Dirigente: Narciso Marinho.

Pregador: Edvandro

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  DEZEMBRO:

Sábado-01/12/18. ÀS 19hs. Culto Evangelístico no Araturi.

Dirigente: Alexandre

Pregador: Fabiano Sampaio

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Sábado 08/12/18. Cruzada Evangelística 

Semeando pela fé e Cruzada Moriá
Dirigente: Narciso Marinho
Pregador: Charcles.



Projeto 5x1

Esse projeto foi criado em primeiro lugar, na vontade de DEUS, em seguida em um desejo de ganhar almas para o reino de Deus, então em uma decisão de 5 servos do Senhor nosso Deus, decidimos colocar em prática esse Projeto, sem placa de Denominações, sem fins lucrativos, mas de esvaziar o inferno e povoar o Céu. 

             Grande Culto de Adoração                     na Casa de Recuperação Resgate de Valores              dia 10 de Novembro de 2018            Contato: (85) 9-8547-7600 - Ir. Narciso Marinho.

CONVOCAÇÃO GERAL

Queremos convidar vc que entendeu a mensagem da cruz para junto conosco no dia 10 de Novembro em Grande Culto de Adoração a Deus que será realizado na Casa de Recuperação Resgate de Valores, no Iparana.

Contato: (85) 9-8547-7600 - Ir. Narciso Marinho. 

Vem ai dia 8 de Dezembro

Grande Cruzada Semeando pela fé 


O Projeto 5x1, e com o apoio grandioso da Cruzada Moriá, faz pela primeira vez, para honra e Glória do Senhor, Cruzada Semeando pela Fé, que será realizada na Av. da Independência esquina com a Rua da Felicidade, no Bairro Quintino Cunha, na ocasião haverá, Louvores, Adoração e a Ministração da Poderosa palavra do Senhor com o Ev. Charcles, e com a presença de uma das maiores banda de Adoradores Banda Expressão de Louvor.

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